Que Suárez ia sair do Barcelona, já se sabia desde que Ronald Koeman chegou a Camp Nou. Que Suárez ia sair para o Atl. Madrid, já se sabia há alguns dias. Que Suárez ia chorar consecutivamente sempre que confrontado com a mudança de clube, não se imaginava. O acordo entre o Barcelona e o Atl. Madrid ficou fechado esta semana, o avançado uruguaio vai trocar a Catalunha pela capital espanhola e as lágrimas têm sido uma constante em todas as etapas do processo.

O negócio acabou por ficar fechado nos seis milhões de euros mais variáveis — ao contrário das primeiras informações avançadas pela imprensa espanhola, que davam conta de que o avançado tinha rescindido com o Barcelona logo na segunda-feira e iria sair a custo zero. A transferência de Suárez foi confirmada pelos próprios catalães, que ao longo de várias publicações no Twitter começaram a despedir-se do uruguaio. Suárez, por sua vez, deslocou-se esta quarta-feira ao centro de treinos do clube e despediu-se dos colegas de equipa, deixando a Cidade Desportiva do Barcelona em lágrimas.

Já esta quinta-feira, o clube organizou uma conferência de imprensa para a despedida do avançado de 33 anos — e a emoção voltou a ser a palavra de ordem. “Não tenho nada preparado, é tudo de improviso e não sei o que dizer, é difícil. Este clube confiou em mim desde o início e estarei sempre agradecido pela forma como me trataram. Confiaram em mim depois de um erro que cometi e isso não é fácil”, começou por dizer Suárez, referindo-se ao incidente com Chiellini durante o Mundial 2014, precisamente no verão em que trocou o Liverpool pelo Barcelona.

“Sou um ser humano, tenho sentimentos, é difícil. Só quero ficar com as coisas boas, com o facto de os meus filhos me terem visto jogar com o melhor da história do futebol”, continuou, numa declaração que acabou por abrir a porta a várias perguntas sobre como é que Messi, de quem era a pessoa mais próxima no balneário do Barcelona, estava a encarar a mudança. “Conhecemo-nos muito bem, ele sabe o que eu penso e somos adultos o suficiente para dar conselhos um ao outro. Vamos ver como é o futuro… já joguei contra ele, contra a Argentina, enfrentarmo-nos não vai misturar os sentimentos que temos”, explicou o avançado, que se emocionou assim que Josep Maria Bartomeu lhe passou a palavra.

Na conferência de imprensa, Suárez também não escondeu que a saída foi originada por Ronald Koeman e pelo facto de o treinador holandês não contar com o uruguaio. “Às vezes o clube precisa de mudanças e o treinador não contava comigo. Vou com a sensação de que cumpri, ser o terceiro maior goleador do clube não é nada fácil. Que me recordem por tudo aquilo que fiz pelo clube nos momentos bons e também nos maus. Sinto-me com capacidade para continuar a competir, mais ainda tendo em conta o último ano que tivemos. Vou embora desta forma para continuar a competir e continuar a mostrar trabalho”, acrescentou, revelando depois que a escolha pelo Atl. Madrid teve um motivo bastante simples.

“Parece irónico… Mas quando o Barça me pôs no mercado apareceram muitas chamadas, muitas ofertas. Eu queria uma equipa onde pudesse competir com o Barcelona e o Real Madrid”, atirou Suárez, que ainda assim esteve muito perto de reforçar a Juventus. “Chegar aqui é um sonho tornado realidade. Não me imaginava a chegar a estes números, aqui tens de render o máximo constantemente. Vou embora orgulhoso e satisfeito depois de seis anos maravilhosos (…) O último mês foi de loucos. Souberam-se coisas, inventaram-se coisas… Indigna, mas tens de tentar manter-te afastado de tudo (…) A saída? Tenho de desfrutar de uma nova etapa e estar agradecido ao Barcelona por todos os momentos vividos”

Suárez rescindiu com o Barcelona, vai sair a custo zero e está perto de ser reforço do Atl. Madrid

Luis Suárez deixa o Barcelona seis anos depois de ter chegado à Catalunha, vindo do Liverpool, e com 13 títulos conquistados, incluindo quatro ligas espanholas, uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes e uma Supertaça Europeia. Pelo meio, marcou 198 golos, tornando-se o terceiro maior goleador da história do clube, apenas atrás de César e Messi. O último jogo pelos catalães foi o mais ingrato possível: a goleada histórica sofrida contra o Bayern Munique, nos quartos de final da Liga dos Campeões, por 2-8.