Após uma longa campanha de teasers, já é oficial o modelo em que a Volkswagen deposita fortes expectativas de se tornar um êxito comercial, ao nível do histórico sucesso do Carocha, ou não planeasse a marca vendê-lo como “pãezinhos quentes”, apontando às 500 mil unidades/ano. Falamos do novo ID.4, o segundo eléctrico da marca alemã assente na plataforma MEB, cuja chegada ao mercado português está prevista para o início do próximo ano.

“O ID.4 anda como um GTI, tem a bitola de um Tiguan e o propósito do Carocha. Ou seja, reúne todas as qualidades da VW num pack único”, assim o descreveu o CEO da Volkswagen América, Scott Keogh. A afirmação, sucinta, condensa as aspirações da marca, na medida em que não terá sido distracção o facto de a Volkswagen ter apresentado o ID.4 como o seu “primeiro eléctrico global”, o que consequentemente releva para um patamar de inferior importância o hatchback ID.3.

O SUV eléctrico da Volkswagen, que pretende rivalizar com o Tesla Model Y, possui 4,58 m de comprimento, 1,85 m de largura e 1,61 m de altura. Ou seja, é 4 cm mais pequeno e menos largo que o concept ID.Crozz que o antecipou, exibindo praticamente as mesmas medidas de um Tiguan (4,51 m de comprimento; 1,84 m de largura; 1,68 m de altura). A grande vantagem é que na distância entre eixos se destaca pelos seus generosos 2,77 metros, o que significa que oferece o espaço interior do Tiguan Allspace (2,79 m) na “embalagem” do Tiguan.

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Outra das particularidades deste SUV eléctrico – em que volta a bater o “mano” com motor térmico – é a distância ao solo, pois enquanto o Tiguan se fica pelos 19 cm, o ID.4 eleva-se até aos 21 cm, montando para já jantes de 20 ou 21 polegadas de diâmetro, consoante se trate da First Edition ou First Edition Max, os dois níveis de equipamento que estão disponíveis no lançamento, sendo o último o mais completo – inclui suspensões adaptativas, diferencial de bloqueio electrónico e direcção variável.

À semelhança do que aconteceu com o ID.3, também o ID.4 surge inicialmente apenas numa versão, sendo que posteriormente ficará disponível com outros níveis de potência, capacidades de bateria e tracção integral. Só que enquanto a First Edition do hatchback recorreu à versão intermédia de bateria (58 kWh e 420 km de autonomia), para o ID.4 a escolha recai na maior bateria. Trata-se do acumulador com 77 kWh de capacidade útil (82 kWh de capacidade bruta) que, nesta edição de lançamento, surge alimentar o mesmo motor eléctrico do ID.3 1st, ou seja, uma unidade síncrona de íman permanente com 150 kW (204 cv) e 310 Nm de binário máximo. O SUV, de tracção traseira, vai de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e define os 160 km/h como a velocidade máxima que pode alcançar. No ciclo de homologação europeu, anuncia uma autonomia de 520 km, podendo o condutor privilegiar mais ou menos a eficiência optando pelos modos de condução Drive ou Brake (que potencia a regeneração de energia na travagem e na desaceleração). E, tal como o ID.3, aceita carga rápida até 125 kW de potência, o que lhe permite energizar a bateria com electricidade suficiente para percorrer 320 km em meia hora. Em casa, a wallbox (11 kWh) mais barata que a VW vende custa 388 euros, na Alemanha, valor que não inclui a montagem.

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No interior, tal como já aqui tínhamos mostrado, o SUV eléctrico alemão aposta num conceito open space, com o condutor a ter à sua frente um tablier muito clean, onde sobressai o ID.Cockpit, com o painel de instrumentos digital de 5,3″ e o sistema de informação entretenimento Discover Pro com ecrã de 10″ para as versões 1st e de 12” para as 1st Max. De resto, estão ainda disponíveis sistemas como o ID. Light, que auxilia o condutor por meio de luzes, a projecção de informação em realidade aumentada no pára-brisas, bem como a assistência activada por comando de voz, operacional assim que se diz “Hello ID”.

A bagageira, com 543 litros, tem uma boa capacidade, mas não chega – como seria de esperar – à volumetria do Enyaq iV (585 litros), podendo alcançar os 1575 litros mediante o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros.

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Em matéria de ajudas à condução, o ID.4 oferece o nível 2 de condução autónoma, com o volante a possuir uma superfície capacitativa para que o sistema “sinta” a mão do condutor, sem que seja necessário que este lhe aplique força e com isso continue a usufruir de funcionalidades como o cruise control adaptativo com ligação à navegação e informações de trânsito, manutenção na faixa de rodagem com alerta de transposição involuntária, detecção de obstáculos e travagem de emergência, entre outros. Em prol da capacidade de tracção, o SUV conta com um diferencial com bloqueio electrónico, que actua como um de tipo autoblocante.

Exteriormente, estamos perante um SUV de linhas atraentes, com uma clara preocupação em favorecer a aerodinâmica (Cx de 0,28, contra 0,23 do Model Y) e passível de agradar à maior parte da potencial clientela por apostar mais na elegância das formas do que em revolucioná-las. A seu favor tem ainda o esquema de iluminação, todo em LED, sendo os faróis Matrix LED no Max, para uma melhor adaptação do feixe de luz às condições do trânsito e da via.

Em matéria de preços, não há quaisquer indicações para Portugal, mas é possível esperar valores em linha com os praticados no mercado alemão. Aí, o ID.4 1st surge com um preço base de 49.950€ (40.470 euros após ajudas), sendo que o ID.4 1st Max custa mais 10.000€ (50.470€ com os apoios locais à compra). Nos EUA, o preço arranca nos 39.995 dólares, pelo que, descontando os 7500 dólares de incentivos governamentais, o ID.4 chega ao cliente por 32.495 dólares. Com a vantagem de a marca oferecer três anos de carregamento na rede Electrify America sem custo adicional para os clientes norte-americanos.