O célebre chef Pierre Troisgros morreu esta quarta-feira aos 92 anos, anunciou Patrice Laurent, diretor do restaurante tri-estrelado La Maison Troisgros, ao Le Figaro. “O filho Michel e a mulher foram para lá e estão em choque”, acrescentou, confirmando informações que já tinham sido ventiladas pelo do diário regional Le Progrès, adiantou ainda Laurent, que trabalha para esta família há 30 anos.

Pierre Troisgros nasceu a 3 de setembro de 1928 em Chalon-sur-Saône. Dono de um invejável bigode e de um sorriso bem-humorado, este cozinheiro e o seu irmão mais mais velho Jean foram criados entre os sabores da boa comida que os seus pais já faziam no Modern Hotel, em Roanne. Tanto Pierre como Jean entraram cedo (naturalmente) no mundo da cozinha e, depois de terem trabalhado em alguns dos mais famosos espaços da altura, vieram trabalhar com a família. Em 1955 conseguiram conquistar a sua primeira estrela Michelin, distinção que os levou a repensar o restaurante, que passou a ser conhecido como o “Les Frères Troisgros” e tinha Pierre e Jean na cozinha — o pai, Jean-Baptiste, tratava da sala de jantar.

Pierre (dir.) e o filho Michel (esq.) Troisgros numa visita a um restaurante de fastfood em 1994. PASCAL DELLA ZUANA/Getty

Praticando uma cozinha inovadora, criativa mas ao mesmo tempo muito simples e por vezes ligeira, Pierre acabou por se entregar às combinações criativas de sabores que se haveriam de materializar na corrente gastronómica conhecida como a “nouvelle cuisine”. Os irmãos Troisgros, Michel Guérard, Paul Bocuse e muitos outros cozinheiros dessa geração acabaram por formar a vanguarda da cozinha mundial, algo que lhe rendeu um lugar cativo nos livros de história gastronómica (e não só). A casa de Roanne de Pierre e do irmão venceria a segunda estrela Michelin em 1965 e a terceira em 1968. Foi precisamente nesse mesmo ano que o prestigiado crítico Christian Millau (fundador do igualmente icónico guia Gault Millau) classificou a casa dos Troisgros como “o melhor restaurante do mundo” — algo que em 2007 o guia Zagat replicaria.

Jean morreu subitamente em 1983, levando o segundo filho de Pierre, Michel (nascido em 1958), a juntar-se ao pai na cozinha como seu braço direito. Michel acabaria por herdar a posição do pai e hoje, também na companhia do seu filho César (neto de Pierre), são eles que mantêm os fogões acesos nesta casa onde já brilharam quatro gerações de cozinheiros. Em fevereiro de 2017 o restaurante mudou-se para a zona de Ouches, a cerca de dez quilómetros de Roanne, e algures pelo meio a família também abriu uma mercearia/cervejaria na sua cidade natal e também uma pousada em Iguerande, em Saône-et-Loire.

O restaurante Maison Troisgros é visto como um monumento da gastronomia. Depois de Paul Bocuse, de quem Pierre era muito próximo, e do célebre Joël Robuchon, que morreram em 2018, Pierre Troisgros é o mais recente “monstro sagrado” da cozinha francesa a desaparecer. “Os corações da nossa brigada estão pesados ​​esta noite. Soubemos da morte do chef Pierre Troisgros, que foi o companheiro de viagem de Monsieur Paul durante 60 anos de amizade extraordinária”, escreveu a equipa do restaurante Paul Bocuse num tweet onde expressaram o seu pesar.