“Seguramente, se o PS as quiser construir à esquerda, não precisará de negociar com Rui Rio”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas, a propósito das negociações para o Orçamento do Estado de 2021.

A coordenadora do BE considerou que “não cabe ao Presidente da República”, Marcelo Rebelo de Sousa, encontrar soluções para a aprovação do Orçamento e manifestou-se convicta de que “essas soluções virão do parlamento, queira o Governo”. E sublinhou que não há nenhuma razão para o Governo precisar de Rui Rio, a menos que o PS não queira negociar com o BE. Nós estamos cá para construir soluções”, reforçou.

Em resposta a questões dos jornalistas, no final de uma visita a uma exposição de fotografia de Alfredo Cunha, na Galeria Municipal Artur Bual, na Amadora, Catarina Martins afirmou “é o parlamento que deve construir as soluções” para a aprovação do Orçamento e que isso “não cabe ao Presidente da República”.

“Não é o Presidente da República que determina maiorias parlamentares”, acrescentou a coordenadora do BE, numa crítica a Marcelo Rebelo de Sousa pelas palavras que dirigiu na sexta-feira à “oposição que ambiciona liderar o Governo”.

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Catarina Martins reiterou a mensagem de que “é o parlamento o lugar para encontrar soluções, não é o Presidente da República que determina quais são as soluções que são encontradas”. “Eu repito: as soluções encontram-se no parlamento, não é o Presidente da República que define. Não foi na última legislatura, não será nesta legislatura”, insistiu. A coordenadora do BE afirmou a disponibilidade do seu partido para negociar e manifestou-se convicta de que “essas soluções virão do parlamento, queira o Governo”.

Na sexta-feira, à margem de uma visita a São Brás de Alportel, no Algarve, o Presidente da República considerou que, se não for possível uma aprovação do Orçamento do Estado com “apoio à esquerda”, então “a oposição, sobretudo a oposição que ambiciona liderar o Governo” deve viabilizá-lo, como fez quando liderou o PSD. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que, quando presidiu ao PSD, viabilizou “três orçamentos do primeiro-ministro António Guterres”, com o seu partido “sublevado e parte do eleitorado a protestar” por esse apoio a um Governo do PS.

Interrogado se este era um recado para Rui Rio, o Presidente da República respondeu que estava a “dizer aquilo que é de bom senso meridiano” e que significa que “há um limite para aquilo que é próprio da democracia, que é a livre escolha dos partidos e dos políticos”. Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que ao PSD pode “custar muito viabilizar o Orçamento”, por “discordar disto ou daquilo”, mas sustentou que “importa aprovar o Orçamento”.

À entrada para uma reunião do Conselho Nacional do PSD, também no Algarve, em Olhão, que viria a aprovar uma moção de apoio à eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais de 2021, Rui Rio respondeu às palavras do chefe de Estado.

O presidente do PSD recusou sentir-se pressionado pelo Presidente da República e disse que quem está sob pressão são “PCP, BE, PS ou PS só com um”, enquanto o seu partido “está, por assim dizer, na bancada à espera que o jogo se inicie”. “O líder do PS, neste caso também primeiro-ministro, foi muito claro, não podia ter sido mais claro, quando disse que no dia que precisasse do PSD para aprovar o Orçamento do Estado o seu Governo deixa de fazer sentido”, salientou Rui Rio, referindo-se a declarações de António Costa em entrevista ao jornal Expresso. Instado a responder o que fará o PSD se a esquerda não se entender para aprovar o documento, Rui Rio retorquiu: “É um não problema”.