Quinze pessoas morreram na região de Benishangul-Gumuz, no oeste da Etiópia, em mais um ataque contra civis, anunciou este sábado a Comissão Etíope de Direitos Humanos em comunicado.

A comissão, que se declarou “profundamente alarmada” com o aumento dos ataques contra civis naquela região, explicou que a ação decorreu na sexta-feira após outros incidentes semelhantes que se verificaram em 06 e 13 de setembro, nos quais morreram mais de trinta pessoas.

“Os civis em Benishangul-Gumuz estão a ser atacados repetidamente com uma total crueldade. As autoridades federais e regionais devem tomar as medidas necessárias para fazer cumprir o Estado de Direito e responsabilizar aqueles que o fazem”, disse o chefe da Comissão Etíope de Direitos Humanos, Daniel Bekele.

Segundo fontes da segurança consultadas pela comissão, que não revelaram quem estará por detrás do ataque, houve um tiroteio entre homens armados e membros das Forças de Defesa Nacional da Etiópia, até que os soldados conseguiram restaurar a calma.

A Etiópia enfrenta situações recorrentes de violência entre grupos étnicos nas regiões de Benishangul-Gumuz, Amhara (oeste) e Oromia (sudoeste), desencadeadas principalmente por conflitos pela posse de terra.

A subida ao poder, em abril de 2018, do primeiro-ministro da Etiópia e vencedor do Prémio Nobel da Paz, Abiy Ahmed, pôs termo a décadas em que a coligação governamental multiétnica foi dominada por líderes da minoria Tigray, tendo levado a cabo uma série de reformas democráticas sem precedentes no país, mas a situação étnica não melhorou.

Em 29 de junho, o popular cantor e compositor Hachalu Hundessa, conhecido pelas suas canções de protesto político a favor dos Oromos – o grupo étnico maioritário na Etiópia e tradicionalmente marginalizado do poder – foi baleado e morto em Adis Abeba, provocando protestos onde mais de 150 pessoas morreram.