Guardiola tinha avisado: “Ninguém quer saber dos jogadores”. Na antevisão da receção ao Leicester, o treinador espanhol criticou o intenso calendário das equipas que estão nas competições europeias, lembrou que o mais importante tem de ser a proteção dos jogadores e garantiu que não tinha mais do que 13 opções para o jogo deste domingo — isto depois de Gabriel Jesus ter sido o mais recente nome no já extenso lote de lesionados.

“Ninguém quer saber dos jogadores, só conta o negócio. Não é só o City, é para todos os clubes e países. Todos — a Premier League, a UEFA — defendem o seu negócio e posição. Os jogadores tiveram duas semanas de pré-época e agora têm de jogar de três em três dias durante 11 meses. Percebo que é uma altura excecional para todos — restaurantes, teatros, cinemas, museus, todos estão com dificuldades. Mas temos de ver as coisas. Três jogadores voltaram lesionados das seleções, isso não conseguimos controlar. Jogaram dois jogos em quatro dias quase sem preparação. Eles não são máquinas”, disse Guardiola na conferência de imprensa de antevisão ao jogo contra a equipa de Brendan Rodgers.

Feitas as contas, o Manchester City tem até ao final de outubro oito jogos: seis entre Premier League e Taça da Liga e mais dois, ainda por decidir, para a fase de grupos da Liga dos Campeões. E feitas também as contas, os citizens têm agora sete jogadores lesionados, sendo que todos poderiam facilmente ser titulares, entre Gabriel Jesus (de fora três semanas), Agüero (de fora mais dois meses) e ainda Bernardo Silva, João Cancelo, Zinchenko, Laporte e Gündoğan.

E quase de propósito, para dar razão a Guardiola, o Manchester City acabou este sábado por ser goleado em pleno Etihad pelo Leicester. Os citizens até começaram a ganhar, graças a um golo madrugador de Mahrez (4′), mas depressa tudo começou a descambar: Jamie Vardy empatou de penálti ainda na primeira parte (37′), pôs o Leicester a ganhar já na segunda (54′) e completou o hat-trick novamente de grande penalidade (58′). James Maddison (77′) e Tielemans (88′) engordaram os números e Nathan Aké, pelo meio, reduziu a desvantagem para o City (84′), fechando as contas nos 2-5.

O Manchester City não sofria cinco golos em casa desde 2002/03, Guardiola nunca tinha sofrido cinco golos em toda a carreira de treinador, desde Owen em 2002 que nenhum jogador marcava três golos no recinto dos citizens. Depois da vitória na jornada inaugural contra o Wolves, em que a equipa deixou logo indicações de não estar no melhor momento, o Manchester City caiu com estrondo contra o Leicester e não dá mostras de grandes recuperações: pelo meio, terá um calendário mais do que intenso, com diversos jogadores lesionados e um treinador que parece ter a motivação em baixo.