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É uma espécie de Volta a Portugal em formato de bolso. Depois de a 82.ª edição da principal prova nacional de ciclismo ter sido adiada para 2021, a Federação Portuguesa de Ciclismo assumiu as rédeas da situação e anunciou uma Edição Especial da Volta no final de setembro. Assim, a competição que teve a primeira edição em 1927 e que se realiza continuamente desde 1975 não foi totalmente anulada pela pandemia e tinha este domingo o seu primeiro capítulo.

A começar em Fafe, paragem habitual da Volta, e a acabar em Lisboa no dia 5 de outubro, esta Edição Especial conta com um total de 1.183,9 quilómetros, com montanha a abrir e a subida à Torre e à Senhora da Graça ao quinto dos nove dias de prova. Esta versão mais curta da competição não permite tempo nem espaço para momentos de descanso ou transição e, por isso mesmo, os ciclistas enfrentam a etapa mais longa da competição logo ao segundo dia — os 180 quilómetros entre Montalegre e o alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

O controlo de temperatura aos ciclistas da Edição Especial da Volta

Este domingo, o prólogo de sete quilómetros entregava desde logo a primeira camisola amarela e abria com chave de ouro a competição. Certo é que a Seleção Nacional estava desde já ausente não só do contra-relógio inicial como da restante Volta, por decisão da delegada de saúde de Anadia, onde a equipa estava a estagiar, e depois de João Salgado ter testado positivo para a Covid-19. A exclusão da Seleção fazia com que a Volta tivesse o pelotão mais curto dos últimos 36 anos, com apenas 98 ciclistas e 14 equipas. É preciso recuar então até 1984 para encontrar um contingente mais curto — na altura, apenas 64 corredores participaram na prova, sendo que o pelotão ultrapassou os 100 atletas em todos os anos seguintes até agora.

João Rodrigues, da W52-FC Porto, começava este domingo a defesa do primeiro lugar conquistado em 2019, enquanto que Joni Brandão, da Efapel e segundo classificado na última edição, era o principal perseguidor do campeão em título. No final do contra-relógio, o espanhol Gustavo Veloso da W52-FC Porto foi o mais rápido e é o primeiro camisola amarela desta Edição Especial da Volta — Rafael Reis e Daniel Mestre completaram o pódio, João Rodrigues foi oitavo e Joni Brandão foi sexto, numa primeira etapa em que a equipa dos dragões foi totalmente dominadora. Apesar da vitória do espanhol de 40 anos, o top 10 acabou por ter sete ciclistas portugueses.

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