O antigo presidente do PSD, Luís Marques Mendes, disse no seu comentário semanal da SIC Notícias que, se a esquerda não aprovar o Orçamento para 2021, isso resultará numa “certidão de óbito para o Governo“. O antigo líder social-democrata acredita que “o PCP descolou” e que se não for o Bloco de Esquerda a dar a mão ao executivo de António Costa “na 25ª hora, o PSD acaba por viabilizar o Orçamento“.

Para Marques Mendes o PSD diz “ao contrário do que se pensa, não é um presente envenenado”, mas antes “uma grande oportunidade” e que é mesmo “sair a sorte grande”. O comentador político diz que o PSD tem sempre a possibilidade de invocar o “interesse nacional”, tendo em conta que existe “a presidência da UE, as presidenciais, a impossibilidade de até março o Presidente dissolver o Parlamento e não pode resolver a crise”. Por isso, Marques Mendes não tem dúvidas: “Rui Rio vai sair-se bem. E o país vai bater palmas“.

Marques Mendes diz ainda que, temendo que a exigência do Bloco — de não haver mais dinheiro para financiar o Novo Banco — já há “uma espécie de comissão dos quatro bancos principais” que “já estão a negociar ir buscar dinheiro a bancos cá dentro para financiar o fundo de resolução porque não vai haver dinheiro do Orçamento do Estado“.

O comentador político disse também, relativamente a uma eventual fusão entre o BCP e o Montepio — noticiada pelo Expresso — que “ainda não houve” contactos “entre os dois bancos nesse sentido” nem com o ministério das Finanças, mas admite que “não é de excluir essa hipótese”.

Os três problemas que o PSD enfrenta para conseguir governar

Marques Mendes teoriza ainda sobre uma eventual crise, dizendo que aí o PSD e a direita têm três problemas: um problema de alternativa; um problema de governabilidade e o problema do Chega. Um problema de alternativa porque “o país ainda não vê no PSD e no centro direita uma solução “falta de condições para governar” porque o PSD “até pode ganhar”, mas depois “repetir-se a situação de 2015” em que não tem maioria para formar governo. Por último há o Chega, que não assusta, segundo Marques Mendes pelas suas “ideias tontas e absurdas “, mas sim o facto do partido de André Ventura crescer “em grande medida, à custa do descontentamento com PSD e CDS, que têm eleitores que acham que estes dois partidos não fazem boa oposição.”

Sobre o apoio do PSD a Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo líder diz que “podia ter sido mais cedo”, mas que esta é “uma decisão natural, óbvia e previsível”.

Quanto ao facto de o embaixador dos EUA em Portugal ter dito ao Expresso que Portugal ia ter de escolher entre a China e os Estados Unidos, Marques Mendes classificou as declarações como uma “ameaça, chantagem e ultimato a Portugal”. No plano político, acrescenta, “é uma entrevista à Trump, sem nível” e no plano diplomático “pouco profissional”. Mendes chamou mesmo “mini-Trump” ao embaixador.