A organização das Nações Unidas para o comércio estimou esta segunda-feira que o continente africano podia garantir quase metade dos 200 mil milhões de dólares que precisa para enfrentar a pandemia se conseguisse eliminar a fuga de capitais.

“Combater a fuga de capitais e os fluxos financeiros ilícitos em África podia gerar novos fundos para responder à crise de Covid-19 no continente”, lê-se no relatório sobre o Desenvolvimento Económico em África 2020, esta segunda-feira lançado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

“Os países africanos precisam de angariar pelo menos 200 mil milhões de dólares [171 mil milhões de euros] para lidar com os custos socioeconómicos da pandemia de Covid-19, para além dos gastos de emergência em saúde”, lê-se no relatório, que dá conta que “88,6 mil milhões de dólares [76 mil milhões de euros] saem do continente todos os anos na forma de fuga ilícita de capitais, que representa riqueza que sai e fica fora do continente”.

Para os peritos das Nações Unidas, “manter estes fundos no continente pode robustecer a resposta à Covid-19 e construir a resiliência das economias africanas no futuro”.

No relatório, elogia-se que em Angola, “em 2004 e 2012, no seguimento de investigações criminais sobre corrupção e lavagem de dinheiro em Angola, este país africano e a Suíça alocaram os fundos recuperados à construção de um hospital, infraestruturas, fornecimento de água e construção de competências para a reintegração das pessoas deslocadas”.