O Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) vão apoiar mais de 1.500 famílias na Guiné-Bissau com uma transferência monetária mensal para diminuir o impacto socioeconómico da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

O PAM e a UNICEF estão determinados a aliviar as dificuldades daqueles que não têm medidas para se defender, com foco em famílias com múltiplas vulnerabilidades, na sua maioria chefiadas por mulheres, com crianças, idosos, pessoas com desnutrição, deficiência, doenças crónicas e em situação de desemprego”, disse Kiyomi Kawaguchi, a representante do PAM na Guiné-Bissau.

Em comunicado enviado à Lusa, as duas agências das Nações Unidas salientam que o programa vai ajudar 11.000 pessoas “através de transferências monetárias mensais via telemóvel”.

“Cada família receberá 40.000 francos cfa [cerca de 60 euros] durante três meses com o objetivo de ajudar a mitigar o impacto socioeconómico da crise causada pela pandemia do coronavírus”, refere o comunicado.

O programa deverá abranger os setores do país com maior prevalência de insegurança alimentar, incluindo 100 famílias do Setor Autónomo de Bissau, onde há registo de maior casos positivos para a Covid-19. O país contabiliza, até ao momento, 2.362 casos positivos de Covid-19, incluindo 39 mortes.

O PAM e a UNICEF referem que a Covid-19 “colocou enorme pressão sobre as famílias nas áreas rurais devido à limitação das atividades económicas”, incluindo a campanha de caju, principal produto de exportação do país e do qual dependem direta ou indiretamente cerca de 80% da população guineense.

A situação atual exige o desenvolvimento de um programa de assistência social contextual, adaptado às restrições impostas pela crise do coronavírus acompanhada de uma comunicação eficaz e efetiva para diminuir riscos às famílias e crianças”, afirmou Nadine Perrault, representante da UNICEF na Guiné-Bissau.

Além das transferências monetárias mensais, as duas agências das Nações Unidas vão fazer uma monitorização remota do programa através de contactos telefónicos regulares com os beneficiários.

O programa, que contou com a colaboração do Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social, é financiado pelo Fundo Fiduciário Multiparceiros para Resposta e Recuperação da Covid-19 da ONU e da Agência Italiana para o Desenvolvimento e Cooperação.

Unicef doa 20 camas hospitalares para sala de isolamento

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) entregou esta segunda-feira ao Alto Comissariado para a Covid-19 da Guiné-Bissau 20 camas hospitalares para a sala de isolamento de pacientes com a doença provocada pelo novo coronavírus.

Hoje [segunda-feira] é mais uma entrega simbólica deste material. Já entregámos vários materiais médicos de apoio à resposta nacional, oxigénio e materiais e consumíveis médicos”, disse Ainhoa Jaureguibeitia, representante adjunta da Unicef na Guiné-Bissau.

Ainhoa Jaureguibeitia falava no Alto Comissariado para a Covid-19, em Bissau, onde decorreu a cerimónia de entrega das camas hospitalares.

Salientando que tanto a Organização das Nações Unidas (ONU), como a Unicef, estão muito empenhadas no combate à Covid-19 no país, Jaureguibeitia lembrou que a pandemia provocada pelo novo coronavírus tem “consequências negativas” em vários aspetos da vida das pessoas e que a agência está a dar apoio em diversas áreas.

Há todo um conjunto de ações e de equipamentos e materiais que estamos a doar. Nos próximos dias vamos doar duas tendas para a triagem em Cacheu e Oio”, afirmou.

A alta comissária para a Covid-19, Magda Robalo, agradeceu o apoio e assegurou à Unicef que a parceria “vai continuar” para reforçar a capacidade de resiliência dos guineenses e do país em situações de emergência.

Unicef vai instalar pontos de água em mais de 1.500 escolas

Na área educativa estamos a apoiar o Ministério da Educação na reabertura das escolas com formação dos professores e diretores, na área do saneamento e da prevenção de doenças. Também vamos instalar pontos de água para lavagem de mãos em 1.500 escolas do país”, disse Ainhoa Jaureguibeitia, representante adjunta da Unicef na Guiné-Bissau.

As aulas na Guiné-Bissau deveriam ter começado em setembro, mas o início do ano letivo foi adiado para 5 de outubro para serem criadas condições de permanência nas escolas no âmbito do combate à pandemia.

O Alto Comissariado para a Covid-19 vai voltar a reunir-se com o Ministério da Educação esta semana e espera que estejam reunidas as condições para o início do ano escolar.

“É importante que as crianças possam voltar às escolas”, afirmou a alta comissária para a covid-19, Magda Robalo.

Segundo Ainhoa Jaureguibeitia, também vão ser instalados pontos de água em 50 centros de saúde de Bissau e das regiões e em 900 aldeias de várias regiões do país.

A maior parte das casas e escolas da Guiné-Bissau não tem água canalizada. Lavar as mãos com regularidades é uma das formas de prevenir a Covid-19, além da utilização de máscara e do distanciamento social.