Num processo que dura há quase dois anos, a diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, volta esta segunda-feira a estar presente num tribunal no Canadá por causa do pedido de extradição dos Estados Unidos. A executiva da gigante tecnológica chinesa foi presa no aeroporto de Vancouver, no final de 2018, a pedido das autoridades norte-americanas, por ter, alegadamente, violado as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão ao enviar para esse país produtos que foram fabricados em território norte-americano.

Os advogados de Meng Wanzhou alegam, no entanto, que o pedido de extradição dos EUA tem falhas graves, uma vez que terão sido omitidas provas importantes que mostram que Meng não mentiu sobre os negócios da Huawei no Irão. Washington, recorde-se, acusou Meng Wanzhou de ter mentido ao banco HSBC sobre o relacionamento entre a Huawei e a Skycom, uma subsidiária que vendia equipamento de telecomunicação ao Irão, que expôs o banco a uma possível violação das sanções norte-americanas contra Teerão.

A partir desta segunda-feira, e durante cinco dias de audiências, Meng vai comparecer no Supremo Tribunal da Colúmbia Britânica, onde o juiz vai decidir se permite que a defesa admita provas adicionais a seu favor, conta a agência Reuters. Segundo a mesma agência de notícias, os advogados vão apresentar documentos que mostram que o HBSC conhecia a extensão dos negócios comerciais da Huawei com o Irão. Nos documentos que foram apresentados anteriormente, os advogados de Meng alegam que o caso que os Estados Unidos enviaram ao Canadá está “tão repleto de erros intencionais e imprudentes” que viola os seus direitos.

Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei, foi presa no aeroporto de Vancouver, no final de 2018, a pedido das autoridades norte-americanas, iniciando uma crise diplomática sem precedentes entre a China e o Canadá. A filha de 48 anos do fundador da Huawei, Ren Zhengfei, rejeita as acusações de que é alvo e argumenta que a Skycom era apenas uma “parceira de negócios” no Irão e que os negócios que a Huawei tinha no país não violavam os padrões globais ou a lei dos Estados Unidos.

A executiva está atualmente em liberdade condicional, a viver numa propriedade de luxo em Vancouver. O fim do seu julgamento está marcado para março ou abril de 2021.

Como a detenção da herdeira da Huawei simboliza a guerra comercial dos EUA com a China