O presidente do grupo empresarial ISQ afirmou esta segunda-feira que o o consórcio de engenharia, certificação e consultoria, presente em cinco países lusófonos além de Portugal, que vai ter uma quebra de faturação entre 30% e 40% naqueles mercados, provocada pela Covid-19.

Este ano, como resultado da pandemia, “muitas obras e projetos ficaram suspensos” e o grupo estima ter “uma redução da faturação da ordem dos 30 a 40 por cento”, no total dos cinco países lusófonos onde está presente, além de Portugal, afirmou Pedro Matias numa entrevista à Lusa. Pelo mesmo motivo, o grupo português está a reduzir o número de colaboradores naquelas geografias, admitiu.

Antes da pandemia, “o ISQ tinha cerca de 500 trabalhadores nos mercados lusófonos, nas diversas operações”, afirmou, mas agora, “já são muito menos”, por causa das limitações em termos de viagens e deslocações, mas também porque “há clientes que, por causa da pandemia, suspenderam alguns trabalhos, alguns dos projetos e obras, evitando até que haja equipas externas presentes nas suas instalações”, explicou. Desta forma, “estamos reduzidos a cerca de metade das pessoas” nestes mercados, cerca de 250 pessoas, admitiu o gestor. Alguns dos funcionários mantêm os contratos, mas não podem ir para o terreno fazer o seu trabalho. Mas entre “10 a 15% ficaram sem contrato” reconheceu, porque o ISQ perante teve de reduzir pessoal.

Apesar do contexto, Pedro Matias continua a considerar que os países lusófonos são uma boa aposta em termos de investimento no exterior. “São normalmente mercados interessantes, que proporcionam bons resultados, quando as coisas correm bem (…), proporcionam boas taxas de retorno de investimento e da aposta que é feita. Mas são, obviamente, mercados que têm especificidades muito grandes”, considerou.

No Brasil, tal como em Angola, o ISQ está há mais de 20 anos, porque o grupo, que tem como principais associados grandes empresas industriais e com mais de 50 anos de atividade, “sempre teve no seu ADN a questão da internacionalização”, referiu Pedro Matias. Por isso, cedo começou a internacionalizar-se, conseguindo abraçar e estar presente em grandes projetos internacionais que se estavam a desenvolver em todo o mundo.

No setor do petróleo e gás brasileiro “o ISQ trabalha com a petrolífera brasileira Petrobras, mas também com outras empresas que estejam a fazer prospeção ou exploração de petróleo e gás”. Mas o grupo também “há cerca de 20 anos que tem operações em Angola. Chegamos a ter cerca de 200 pessoas a trabalhar no país”, adiantou Pedro Matias. Este tipo de mercados de grande dimensão defendeu que devem também ser atacados por setores de atividade, por clusters ou por regiões.

“O ISQ tem a capacidade de se adaptar” e até é contratado pelo governo de “qualquer um desses países, para os ajudar a estruturar aquilo que são as bases de determinado tipo de setor ou de atividade, nomeadamente atividades legais, (…)que o Estado tem de garantir à indústria para que esta possa funcionar”, assegurou.

“É um trabalho mais de preparação de normas e de regras e, posteriormente, de formação de formadores, capacitação de equipas locais, para depois poderem ser elas próprias a implementar e a levar por diante esse tipo de atividades”, explicou.