A escritora bielorrussa Svetlana Aleksievich, Nobel da Literatura em 2015, deixou a Bielorrússia e foi para a Alemanha, informou a assistente da escritora ao Tut.by, um jornal online daquele país. A escritora era um dos sete membros do Conselho de Coordenação da oposição bielorrussa e, no final de agosto, tinha sido interrogada no âmbito da investigação do regime de Alexander Lukashenko sobre o conselho da oposição que considera a sua reeleição ilegítima e que luta por uma transição democrática no país.

Segundo aquele portal de notícias, Svetlana Aleksievich voou para a Alemanha esta segunda-feira de manhã. A assistente da escritora, Tatyana Tyurina, contudo, afirma que a saída do país nada tem a ver com o processo criminal que decorre contra o Conselho de Coordenação da oposição e diz que a escritora apenas foi tratar de “assuntos pessoais”.

“Foi porque tinha eventos planeados, uma feira do livro na Suécia, e na Sicília vai receber um prémio”, disse a assistente da Nobel da Literatura, rejeitando que a saída do país se devesse ao processo criminal de que é alvo e no âmbito do qual foi interrogada há um mês.

Rejeitando tratar-se de “exílio”, Tatyana Tyurina desvaloriza. “Foi tratar de assuntos pessoais e literários. A vida normal dela é isso, só não pode ausentar-se muito tempo por causa da sua saúde”, afirmou, recusando detalhar para quando está previsto o regresso da escritora ao seu país. “Tudo depende de como os eventos correrem e do bem-estar dela”, disse.

No passado dia 20 de agosto o procurador-geral da Bielorrússia disse que as atividades do Conselho de Coordenação visavam tomar o poder do Estado, bem como prejudicar a segurança nacional da República da Bielorrússia. Foi nesse sentido que foi instaurado um processo criminal contra aquilo que Alexander Lukashenko descreve como uma tentativa de golpe de Estado.

Lukashenko é presidente há 26 anos e tem enfrentado uma enorme pressão para renunciar ao cargo desde que a população saiu à rua em manifestações contra a sua vitória nas urnas no dia 9 de agosto, considerada fraudulenta por bielorrussos e pela comunidade internacional.