Há muito que a Tesla deixou de ser apenas um fabricante norte-americano, preocupado unicamente com o mercado doméstico. Os fortes investimentos em instalações fabris na China e na Alemanha transformaram-na num actor global, dependendo igualmente de outros países, bem como da relação entre estes e o Governo de Donald Trump.

A batalha comercial entre os chineses e os americanos levou Trump a criar uma série de impostos especiais sobre produtos importados da China. A Tesla não importa veículos completos da China, ao contrário do que a Apple faz com os iPhone, mas há algumas peças e materiais que o fabricante de veículos eléctricos produz ou adquire no mercado chinês que gostaria de importar para os EUA.

Os americanos “arrumaram” os artigos em duas listas, a nº3 e nº4, a primeira sujeita a 25% de taxas e a segunda a 7,5%. A Tesla afirma que a inclusão das suas peças nessas listagens prejudica a empresa.

Originalmente, todos os interessados em importar peças a partir da China poderiam candidatar-se a uma isenção de impostos. A Tesla fê-lo para fazer chegar aos EUA óxido de sílica e grafite artificial e usufruiu dessas ajudas até Agosto. Também os processadores e o ecrã dos Model 3 e Y destinados aos modelos americanos vêm agora da China, tendo a Tesla solicitado para estes produtos uma isenção dos 25% de impostos específicos. Mas o Governo entendeu que estes componentes recorrem a tecnologias importantes para a segurança nacional, pelo que não serão isentos de taxas.

A Tesla não concorda com a classificação e, muito menos, com as prioridades do Governo, pelo que recorreu ao tribunal para solicitar a anulação das medidas, por não terem em conta a realidade da sua indústria. Esta não é a primeira vez que Elon Musk, o CEO e o maior accionista da Tesla, recorre aos tribunais contra o Governo.

Em 2014, o lobby dos militares quis manter o negócio do lançamento dos seus satélites como monopólio do grupo United Launch Alliance (ULA), da Lockheed Martin e Boeing, o que deixava de fora a SpaceX. Em tribunal, Elon Musk defendeu que isso era inaceitável, pois além de a sua tecnologia ser mais avançada, os seus custos rondavam os 60 milhões por lançamento, face aos 400 milhões da ULA. E venceu.