Os profissionais de saúde na Venezuela estão a ser obrigados a trabalhar, apesar da falta de condições nos hospitais do país, onde chegam a ser os próprios a comprar os equipamentos de proteção individual.

A denúncia é feita pela BBC num vídeo onde divulgou imagens dos hospitais venezuelanos, em que a maioria não tem água corrente. As pessoas não conseguem nem lavar as mãos, nem usar a casa de banho — há baldes com água espalhados pelo chão para serem utilizados nas casas de banho.

Segundo relatos de profissionais de saúde, houve quem tentasse denunciar a situação, mas acabasse detido. Houve também casos de pessoas que se despediram pela falta de condições e com medo de ficarem infetados com o novo coronavírus, mas foram obrigadas pelas autoridades governamentais a regressar ao trabalho.

Tivemos cerca de um mês e meio em que não houve um par de luvas para tratar um doente [com Covid-19]. Não havia nem luvas nem máscaras”, indicou um enfermeiro que não quis ser identificado.

De acordo com a BBC, são os próprios profissionais de saúde que têm de adquirir os equipamentos de proteção individual. No entanto, tendo em conta que a Venezuela é o país com maior taxa de inflação do mundo, isso torna-se incomportável: uma máscara chega a custar um dólar e os médicos ganham entre quatro a cinco dólares por mês.

A Venezuela contabilizou, desde março, pelo menos 600 óbitos, dos quais um terço eram profissionais de saúde.