O Conselho de Administração da TAP disse esta quinta-feira manter a prioridade de recuperar a TAP, numa mensagem aos colaboradores a que a Lusa teve acesso, na sequência do anúncio da renúncia de Humberto e David Pedrosa aos cargos na administração.

Endereçamos o nosso agradecimento e reconhecimento ao Humberto [Pedrosa] e ao David [Pedrosa] por todo o profissionalismo, visão e comprometimento com a nossa TAP. Mantêm-se firmes as nossas prioridades: garantir a retoma operacional de modo seguro e sustentável e reestruturar para recuperar a TAP”, lê-se na mensagem do Conselho de Administração da transportadora aérea.

Em causa está o anúncio de que Humberto e David Pedrosa apresentaram, na quarta-feira, a renúncia aos cargos de presidente e vogal, respetivamente, na TAP e nas demais sociedades do Grupo TAP onde exercem funções de administração.

Humberto Pedrosa sai da administração da TAP com a tomada de controlo pelo Estado

Numa nota publicada esta quinta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a TAP adianta que o motivo das renúncias prende-se com eventuais implicações, em avaliação, nas atividades desenvolvidas pelo Grupo Barraqueiro, da prevista reorganização da participação acionista na TAP, SGPS do Estado Português.

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Uma fonte ligada ao processo contactada pela Lusa esclareceu que, uma vez que a TAP se tornou uma empresa pública quando o Estado passou a deter 72% do seu capital, poderá haver conflito de interesses por ter administradores que também o são em empresas privadas que têm contratos com o Estado.

O Grupo Barraqueiro, liderado por Humberto Pedrosa, acionista da TAP, tem também, por exemplo, um contrato de subconcessão do Metro do Porto com o Estado, para o período 2018-2025.

Outra fonte adiantou à Lusa que o Governo vai criar uma exceção para que Humberto e David Pedrosa se possam manter na administração da TAP, mas até que isso aconteça, tinham que renunciar aos cargos.

Na sequência da renúncia, o acionista único da TAP, a TAP, SGPS elegeu José Manuel Silva Rodrigues e Alexandra Vieira Reis para as funções de vogal do Conselho de Administração da TAP, em ambos os casos para o período remanescente do mandato em curso (triénio 2018-2020).

Alexandra Margarida Vieira Reis assumirá também as funções de vogal da Comissão Executiva da TAP.

Relativamente à TAP, SGPS e às sociedades por esta maioritariamente participadas, Humberto e David Pedrosa foram também substituídos, respetivamente, por José Manuel Silva Rodrigues e Alexandra Margarida Vieira Reis.

O Senhor David Humberto Canas Pedrosa continuará a colaborar com a TAP, em concreto no processo de reestruturação, mantendo o Grupo Barraqueiro o seu compromisso com o Grupo TAP enquanto seu acionista de referência”, é referido na nota.

O Jornal Eco dá esta quinta-feira conta que, segundo informações de fonte próxima ao processo, o Governo escolheu a multinacional norte-americana Korn Ferry, especializada em recrutar diretores e presidentes no mundo inteiro, para levar a cabo o processo de recrutamento para os cargos de topo da companhia aérea, incluindo o novo presidente executivo (CEO). Segundo adianta, a empresa tem 45 dias para o fazer.