A exposição com 75 obras de arte contemporânea portuguesa da nova edição da “Arte em São Bento”, que é inaugurada na segunda-feira, em Lisboa, “tornou-se uma plataforma de visibilidade” para os mais jovens do conjunto de 40 artistas representados.

É uma coleção internacional, com artistas estrangeiros, mas sobretudo voltada para uma produção nacional que foi acompanhada muito de perto, nomeadamente dos artistas mais jovens”, sublinharam esta sexta-feira os curadores Ana Anacleto e José Silvério, em declarações à agência Lusa, durante uma visita guiada à exposição.

A obra mais antiga é de 1940, e o arco cronológico da coleção, com cerca de 80 anos, chega à atualidade, percorrendo, a atual seleção feita pelos comissários, 50 anos de produção artística.

A Coleção Figueiredo Ribeiro encontra-se desde 2016 em depósito no município de Abrantes, e seu acesso deixou de ser privado para se tornar de fruição pública, no Quartel da Arte Contemporânea.

O Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, tem vindo a acolher anualmente, desde 2017, uma seleção de obras de artistas contemporâneos portugueses, pertencentes coleções privadas, de fora de Lisboa.

Os dois curadores fizeram uma seleção de 75 obras de cerca de 40 artistas, a partir de um vasto acervo de 1.400 peças, e, desta escolha, metade são expostas pela primeira vez, disseram os comissários à Lusa.

“O colecionador [Fernando Figueiredo Ribeiro] deu atenção a artistas com menos representação no circuito artístico, e foi interessante pegar nesse fator característico da coleção”, comentou o comissário José Silvério, um dos curadores desta edição da “Arte em São Bento”.

A coleção “segue o trabalho de artistas históricos como Fernando Calhau, Jorge Pinheiro ou Fernanda Fragateiro, e também de artistas mais jovens, com um trabalho de cerca de cinco anos”, descreveram os comissários à Lusa sobre o acervo que agora está espelhado no Palácio de São Bento.

Logo no piso térreo, os visitantes poderão ver, a partir do feriado de 5 de outubro, obras de artistas já com uma carreira reconhecida, como Rui Chafes, Fernando Calhau ou Fernanda Fragateiro, nomeadamente em escultura, que vão compondo um percurso pelos dois pisos da residência, abertos ainda a peças de fotografia ou pintura de Patrícia Garrido, Francisca Carvalho, Sérgio Carronha, Brígida Mendes, Dalila Gonçalves, Edgar Massul e Francisco Mendes Moreira.

André Cepeda, António Olaio, Nuno Cera, Adriana Molder, Ana Jotta, Bruno Cidra, Carlos Bunga, Diogo Evangelista, Edgar Martins, João Pedro Vale, João Tabarra, Miguel Palma, Pedro Barateiro e Sara Bichão são outros dos artistas representados nesta exposição, que ficará patente durante um ano.

O gosto do colecionador, a arquitetura e a decoração da residência oficial também pesaram na escolha das obras que agora “habitam” a residência oficial do primeiro-ministro, a par de mais de uma centena de peças de mobiliário e decorativas, selecionadas pela diretora do Museu do Design e da Moda, Bárbara Coutinho, para a iniciativa paralela “Design em São Bento”.

Desde janeiro deste ano que esta outra iniciativa introduziu um conjunto de peças de design provenientes de museus, empresas e colecionadores de todo o país, com o objetivo de “transformar um lugar de soberania e de representação institucional numa montra da cultura portuguesa”, comentou a curadora, em declarações à Lusa.

De acordo com a também diretora do Museu do Design e da Moda (MUDE), as 110 peças colocadas no edifício “mostram o património, a história, a criatividade e a capacidade produtiva atual do país”, nas áreas do mobiliário e artes decorativas, em objetos úteis ou apenas decorativos, com materiais tão diferentes como vidro, metal, cortiça, madeira, têxtil ou pedra natural.

“É também uma forma de sublinhar a importância do design como fator estratégico do desenvolvimento do país”, apontou Bárbara Coutinho sobre esta iniciativa, que agora se apresenta em salas remodeladas, com peças de mais de quatro dezenas de autores, como Maria Keil, Rosa Ramalho, Fernando Brízio, Toni Grilo, Alda Tomás, António Garcia, José Espinho e Rita Filipe.

Passeando pelas divisões da residência oficial, o visitante poderá encontrar peças de artes populares a decorativas, do século XVI ao século XXI, desde um jogo de animais em madeira decorada a um baú açoriano, passando por contadores e arcas, até mobiliário desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza para o Pavilhão de Portugal, na Expo98.

A inauguração da “Arte em São Bento 2020 — Coleção Figueiredo Ribeiro” terá lugar na segunda-feira, dia 5 de outubro, às 11:30, e a residência oficial do primeiro-ministro estará aberta ao público para visitas a ambas as mostras, entre as 15h e as 19h, nesse dia.

A iniciativa foi criada em 2017, pelo gabinete do primeiro-ministro, António Costa, com o objetivo de “afirmar a vitalidade da produção artística nacional e o seu contributo para projetar a imagem de um país inovador e contemporâneo”, segundo a organização.

Nas edições anteriores, a iniciativa acolheu a Coleção de Serralves (2017), do Porto, a Coleção António Cachola/Museu de Arte Contemporânea de Elvas (2018) e a Coleção Norlinda e José Lima (2019), de São João da Madeira.