A vitória de Joni Brandão na Torre garantiu ao ciclista da Efapel a conquista de um lugar na classificação geral da Volta a Portugal, saltando para a quarta posição. A surpresa, porém, acabou por aparecer já durante a manhã desta sexta-feira: os comissários da competição decidiram penalizar Joni Brandão em 20 segundos devido a um abastecimento de água irregular já nos 20 quilómetros finais antes da chegada à Torre. O castigo, o mesmo que já tinha sido aplicado a António Carvalho, também da Efapel, no dia anterior, fez Brandão cair novamente para o quinto lugar da geral e ficar a 1.37 minutos do líder Amaro Antunes.

Volta a Portugal: Joni Brandão penalizado em 20 segundos por abastecimento irregular

Amaro Antunes que, esta quinta-feira, voltava a partir com a camisola amarela. O ciclista da W52-FC Porto foi terceiro na Torre e no final da etapa explicou em declarações à Agência Lusa que não podia dizer que “o dia tinha sido fácil”. “Por vezes na televisão parece fácil mas nós na bicicleta é que sentimos como é que vamos. Estava bastante vento, o que também impossibilitou algumas movimentações. Hoje, tenho de tirar o chapéu à minha equipa. Desde o Samuel Caldeira, o [Rui] Vinhas, o Daniel [Mestre], o Ricardo [Mestre] e depois, aqui, um super João [Rodrigues]. Para mim, foi uma atitude de um campeão. O vencedor da última edição da Volta a Portugal chegar aqui e deixar a pele por mim, foi algo… Confesso que me arrepia. Só pensava que não poderia desiludir, de qualquer forma”, disse Amaro Antunes, depois de João Rodrigues ter até referido que iria esforçar-se para ajudar o ciclista de 29 anos a chegar à vitória final.

“Na parte final, derivado também ao nevoeiro, houve aqui alguma hesitação e eu confesso que logo, logo, não vi a meta. Quando reparo que estávamos a chegar, já o Joni tinha alguma diferença. Foi o vencedor, há que lhe dar os parabéns. Quanto a nós, estamos de amarelo (…) Ia ser hipócrita se dissesse que não [estou satisfeito por sair da Torre de amarelo], estou muito feliz por ter a camisola amarela”, concluiu o atleta da W52-FC Porto.

Jóni Brandão ganha na Torre mas W52 FC Porto faz xeque-mate e Amaro Antunes sai como favorito à vitória final

Esta sexta-feira, na quinta etapa desta Edição Especial da Volta a Portugal que termina na segunda-feira em Lisboa, os ciclistas cumpriam os 176,3 quilómetros que ligam Oliveira do Hospital a Águeda. Num percurso principalmente destinado aos sprinters, com dois sprints intermédios e uma chegada à meta que seria provavelmente disputada também na velocidade — algo que ainda não tinha acontecido nesta edição da prova –, Amaro Antunes aparecia então com 13 segundos de diferença para o segundo classificado da geral, Frederico Figueiredo (Atum general/Tavira/Maria Nova Hotel), e a 1.13 do colega Gustavo Veloso, o espanhol que venceu o prólogo.

Numa etapa muito marcada pelo forte vento que se fez sentir durante praticamente todo o percurso mas sem chuva, um grupo de cinco ciclistas liderou a etapa durante largos quilómetros mas foi apanhado pelo pelotão a cerca de 17 quilómetros da meta. O sul-africano Willem Smit, da Burgos, fugiu ao pelotão numa subida e quanto faltavam 13 quilómetros para o final mas foi desde logo perseguido pela movimentação conjunta dos atletas da Caja Rural e apanhado cerca de cinco quilómetros depois por um grupo liderado por Tiago Machado (Efapel).

No sprint final, a vitória caiu para um dos grandes favoritos: o britânico Daniel McLay, da Arkéa, foi o mais rápido e beneficiou de um grande trabalho coletivo da equipa francesa. Logo a seguir, Leangel Linares (Miranda-Mortágua) foi segundo, ao bater por pouco Riccardo Minali (Nippo–Delko–One Provence), que ficou em terceiro. Luís Gomes, na quarta posição, foi o primeiro português a cruzar a meta em Águeda, seguido de Daniel Freitas (5.º), Rafael Silva (7.º) e César Martingil (8.º). Na classificação geral, Amaro Antunes — que foi 9.º na etapa desta sexta-feira — continua com a camisola amarela e mantém os 13 segundos de vantagem para o principal perseguidor, Frederico Figueiredo.