O dia em Alvalade foi marcado por alguns rumores sobre possíveis saídas no Conselho Diretivo do Sporting, que não só não se confirmaram como, segundo algumas fontes internas contactadas pelo Observador esta sexta-feira, não se chegaram sequer a colocar – muito menos por um mau resultado desportivo. Certo é que o afastamento no playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa não deixou de provocar alguma convulsão no universo verde e branco, sendo que a reação mais forte na ressaca da goleada com o LASK Linz acabou por vir do plano interno.

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Baltazar Pinto, presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting que já teve algumas pastas de peso nas suas mãos como o processo de expulsão do antigo presidente Bruno de Carvalho ou as sanções aos sócios que estiveram presentes na invasão à Academia, recusa por completo um eventual cenário de eleições antecipadas mas, em entrevista à Antena 1, deixou duras críticas para dentro ao fim de dois anos na liderança do órgão.

“É uma tristeza. Para mim que não estava por dentro não sabia que ia encontrar isto. O Sporting não precisa de inimigos, matam-se todos uns aos outros, entre aspas, lá dentro. E não falo só da Juventude Leonina. O Sporting é uma estrutura altamente complexa que só agora me estou a aperceber porque só lá estou há dois anos. Nem sei o que se pode fazer ali. Enquanto no FC Porto e no Benfica puxam todos para o mesmo lado, no Sporting não. Há pessoas dentro do Sporting, e muitas, muitas mesmo, uma grande percentagem, que desejam que o Sporting perca”, referiu o dirigente, citando depois o livro “História de Espanha” de Arturo Pérez-Reverte.

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“Diz ele que os espanhóis passam o tempo a matarem-se todos uns aos outros, em guerras civis permanentes. O Sporting faz-me lembrar um bocado isto. Digladiam-se todos uns aos outros. Resta pouco tempo para me ir embora e a sensação que tenho é que o Sporting assim nunca chegará a lado nenhum, é impossível. Impossível. Vá para lá quem for”, admitiu Baltazar Pinto.

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“Não sou da Direção mas falta só um ano e meio para voltar a haver eleições, por isso não faz sentido nenhum haver eleições agora. Quando chegar a altura, os sócios votam na pessoa que acharem ser a melhor mas para já não vale a pena adiantar esse cenário”, concluiu o presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar leonino.