O presidente do Turismo Centro de Portugal considerou esta sexta-feira que o plano de recuperação e resiliência tem dotações orçamentais “inaceitáveis” na distribuição dos fundos entre o Norte e o Centro, e apela ao Governo para que reveja a distribuição.

Pedro Machado disse esta sexta-feira à agência Lusa que o plano de recuperação e resiliência da União Europeia criado para responder à crise da covid-19 consagra dotações orçamentais “inaceitáveis na distribuição dos fundos comunitários, nomeadamente na comparação entre o Centro e o Norte do país”.

O responsável considera “inaceitável” a distribuição dos fundos como consta do documento estratégico que o Governo tornou público e “onde o Norte vai ficar com 50% dos fundos, nomeadamente do [20]21-[20]27 e o Centro [com] 29%”.

Acho que é uma discrepância inaceitável, seja ela alavancada nos indicadores, por exemplo, do desemprego. É evidente que o Norte tem mais desemprego que o Centro. Seja alavancada em indicadores como o desenvolvimento empresarial e, sobretudo, na capacidade produtiva. O Norte tem mais que o Centro, mas não tem numa relação de uma distribuição e de uma diferença percentual tão forte como aquela que nos foi apresentada”, justificou.

Perante a situação, o presidente do Turismo Centro de Portugal apela ao Governo para “que haja uma revisão da distribuição dos fundos comunitários, sobretudo da ‘bazuca’, que vem para concentrar investimento na recuperação das empresas e do emprego”.

Pedro Machado também considera que “há um centralismo exacerbado, quer na gestão dos fundos, quer na concentração dos investimentos”.

E, por isso, mais uma vez, parece-me e percebe-se que nos investimentos prioritários, sobretudo no investimento público prioritário que o Governo está a definir como metas de [20]21 a [20]27, os próximos seis anos são absolutamente concentracionistas. E, portanto, voltamos à política do centralismo, voltamos à política do concentralismo”, alerta.

Assim, Pedro Machado diz claramente que discorda e que rejeita o que está a ser apresentado.

O dirigente apontou ainda à Lusa que as verbas do Orçamento do Estado (OE) para as regiões de turismo estão “praticamente inalteradas desde 2006”, o que significa “que os 20 milhões de euros que anualmente estão inscritos na Lei do OE estão aquém” da evolução e das exigências “que a atividade turística tem vindo a fazer”.

Na atualidade, devido à pandemia causada pela covid-19, o presidente do Turismo Centro de Portugal considera que as verbas para o setor deviam ser reforçadas no OE para 2021, daí que desafie o Governo e o Ministério da Economia a reverem “a tónica dos últimos 14 anos em que basicamente não estão alteradas as dotações orçamentais“.