No outono de 1918, a gripe espanhola invadiu a Casa Branca. O secretário pessoal do Presidente Woodrow Wilson foi um dos primeiros a ficar doente, seguiram-se a sua filha mais velha e o próprio Presidente. Nem mesmo as ovelhas do quintal da residência presidencial escaparam.

Wilson viajara para a Conferência de Paz de Paris para discutir o fim da Grande Guerra. Quando voltou, começou a sentir os primeiros sintomas daquela que é considerada a “mãe das pandemias”: febre e ataques violentos de tosse. O seu médico pessoal, Cary T. Grayson, chegou mesmo a colocar a hipótese de envenenamento, afirmou John M. Barry, no livro The Great Influenza. 

A Casa Branca tentou manter o diagnóstico do Presidente em segredo, dizendo aos jornalistas que Wilson estava constipado devido ao tempo frio e chuvoso de Paris. No entanto, o seu estado clínico foi agravando de tal maneira que deixou de conseguir sentar-se na cama.

As conversas na Conferência de Paris continuaram sem a presença de Wilson, que, tal como escreve o The Washington Post, acabou por ceder a exigências francesas que anteriormente tinha considerado não negociáveis. Meses depois de ter recuperado, sofreu um derrame cerebral, que o tornou incapaz de cumprir as suas funções.

Desde a sua morte, em 1924, são várias as teorias sobre a saúde do Presidente. Terá mesmo sido infetado com a gripe espanhola? Ou terão sido sintomas de um derrame? No livro, publicado em 2004, Barry refuta as teorias e afirma que a “febre alta, tosse forte e prostração” são sintomas que “se encaixam perfeitamente na gripe e não têm qualquer associação com um derrame”.

Não é certo se as negociações pós-guerra teriam sido as mesmas se o 28.º Presidente dos EUA não tivesse adoecido. “Ninguém pode saber o que teria acontecido. Só podemos saber o que aconteceu. A gripe atingiu Wilson”, afirmou o escritor.

Um século depois ainda não se sabe a origem da gripe que matou mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Os primeiros casos foram registados numa instalação militar no Kansas, EUA. Morreram 675 mil pessoas no país norte-americano.