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Há mar e mar, há (Am)ir e voltar: e Sérgio não conseguiu chegar a bom Porto (a crónica do FC Porto-Marítimo)

Este artigo tem mais de 6 meses

O FC Porto foi surpreendido pelo Marítimo no Dragão e sofreu a primeira derrota da temporada num jogo em que Amir, o guarda-redes dos madeirenses, defendeu um penálti e segurou a vitória (2-3).

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Os dragões nunca tinham perdido em casa com o Marítimo para o Campeonato

AFP via Getty Images

Os dragões nunca tinham perdido em casa com o Marítimo para o Campeonato

AFP via Getty Images

Alex Telles estava quase de saída mas ainda não saiu. Soares já rumou à China e Aboubakar à Turquia. Otávio e Corona continuam no plantel. Zaidu, Cláudio Ramos, Evanilson e Taremi ainda não foram opções no onze. Toni Martínez deve ser apresentado nos próximos dias e a chegada de Pêpê complicou-se. Em resumo, este sábado, Sérgio Conceição repetia pela terceira vez consecutiva uma façanha que já acontece desde o início da temporada: colocava em campo um onze inicial totalmente composto por jogadores que já estavam no FC Porto na temporada passada e que foram campeões nacionais.

Ainda assim, a equipa que este sábado jogava contra o Marítimo não estava imune a novidades. Marchesín lesionou-se na zona das costelas durante a semana e era substituído no onze por Diogo Costa, sendo que o reforço Cláudio Ramos ficava no banco de suplentes e era convocado pela primeira vez. Por outro lado, Uribe perdia a titularidade pela primeira vez esta época e cedia o lugar a Luis Díaz, que regressava às opções iniciais de Sérgio Conceição depois de ter sido um dos elementos mais importantes da equipa na reta final da temporada anterior.

Ficha de jogo

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FC Porto-Marítimo, 2-3

3.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

FC Porto: Diogo Costa, Manafá (João Mário, 86′), Pepe, Mbemba (Zé Luís, 81′), Alex Telles, Otávio, Danilo, Sérgio Oliveira (Fábio Vieira, 81′), Luis Díaz (Taremi, 53′), Marega, Corona

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Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Diogo Leite, Uribe, Zaidu, Romário Baró

Treinador: Sérgio Conceição

Marítimo: Amir, Cláudio Winck, Lucas Áfrico, Zainadine, Marcelo Hermes, René Santos (Milson, 76′), Jean Irmer, Correa (Edgar Costa, 62′), Nanu, Getterson, Rodrigo Pinho (Kibe, 69′)

Suplentes não utilizados: Charles, Kerkez, Jean Cléber, Bambock, Pelágio, Joel

Treinador: Lito Vidigal

Golos: Rodrigo Pinho (24′ e 52′), Pepe (42′), Nanu (90+4′), Otávio (90+10′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rodrigo Pinho (45+2′), a Mbemba (51′), a Kibe (72′), a Pepe (82′), a Edgar Costa (87′)

Mas antes do apito inicial e ainda na antevisão, o treinador dos dragões abordou um dos temas mais polémicos da jornada anterior: o alegado anti-jogo do Marítimo e, por conseguinte, o alegado anti-jogo de Lito Vidigal na partida contra o Tondela. “Conheço o Lito Vidigal há alguns anos. É alguém inteligente em termos de tática e não do anti-jogo. Esse é um dos problemas do futebol português, que está nos últimos lugares do ranking em tempo de jogo. É um problema que merece discussão. Existem vários motivos para que esses dados sejam o que são. Aquilo que espero é que existe coragem por parte dos árbitros para darem 15 ou 20 minutos de compensações e não vale a pena mostrar amarelos aos 90 ou 92 minutos. Agora, por aquilo que conheço do Lito, ele nunca precisou de anti-jogo para ser competitivo”, garantiu o técnico.

Certo é que, no Dragão, o FC Porto encontrava um adversário que nunca venceu no estádio dos dragões e tinha a oportunidade de chegar à terceira vitória em três jornadas no Campeonato — e pressionar desde já o Benfica, que também ainda não perdeu pontos mas só entra em campo este domingo com o Farense. O Marítimo chegava a esta jornada com uma derrota e uma vitória atrás das costas e a vontade de repetir, pelo menos, o resultado do FC Porto há praticamente um ano na Madeira: um empate com golos de Bambock e Pepe.

O Marítimo apresentava-se no Dragão com um 5x3x2 declarado e o FC Porto respondia com o sistema habitual mas com Otávio mais recuado: o médio brasileiro, que tem sido opção para uma posição mais próxima da ala, andava um metros para trás e aparecia no meio-campo para abrir espaço para Luis Díaz no apoio a Marega no ataque. O primeiro lance de perigo dos dragões teve Lucas Áfrico como protagonista, já que foi o defesa madeirense a afastar um cruzamento de Otávio (9′), e Díaz foi depois anulado por quatro adversários quando estava na grande área com a bola controlada (10′). Com mais bola mas sem grande superioridade no que toca a ocasiões de golo, saltava à vista a dinâmica da defesa do FC Porto na hora de construir.

Sempre que os dragões tinham a bola e era hora de desenhar um lance de ataque, ou Pepe ou Mbemba assumiam sozinhos o eixo defensivo e o setor mais recuado da equipa ficava temporariamente reduzido a três elementos: se a ideia era atacar pela esquerda, Alex Telles subia para se aproximar de Luis Díaz, Sérgio Oliveira procurava espaços interiores e Pepe ocupava a lateral da defesa; se a ideia era avançar pelo lado contrário, Manafá subia para se aproximar de Corona, Otávio explorava zonas interiores e Mbemba ocupava a lateral da defesa. Um sistema que parecia perfeito na hora de atacar mas que acabou por revelar lacunas na hora de defender.

As jogadas de perigo do Marítimo depressa mostraram que a ideia da equipa de Lito Vidigal era precisamente explorar as costas dos laterais do FC Porto sempre que estes subiam. Correa marcou depois de um cruzamento vindo da esquerda mas o lance foi anulado por nove centímetros de fora de jogo (9′), Rodrigo Pinho obrigou Diogo Costa a uma defesa apertada depois de um cabeceamento (16′): e foi precisamente o avançado brasileiro que só precisou de chegar à segunda tentativa para abrir o marcador. Num lance bem desenhado pelos madeirenses, em que a bola passou por vários jogadores e viajou do lado esquerdo para o corredor direito, Winck tirou da manga um passe perfeito em profundidade e descobriu as costas de Pepe; Mbemba não fez a dobra ao colega do lado, Alex Telles também estava atrasado e Pinho apareceu isolado, tirou Mbemba da frente com um bom pormenor e rematou sem grande oposição para abrir o marcador (24′).

O FC Porto procurou responder à desvantagem mas mostrava muitas dificuldades em ultrapassar a organização defensiva da equipa de Lito Vidigal. Wilson Manafá, na ala direita, acabava por ser o jogador mais inconformado dos dragões e cruzava, rematava e quebrava linhas para tentar desequilibrar. Os últimos 10 minutos da primeira parte trouxeram uma intensidade superior da equipa de Sérgio Conceição, que empurrou por completo o Marítimo para o próprio meio-campo, e tanto Corona (38′) como Manafá (41′) ficaram perto de empatar. Esse privilégio estava, porém, reservado para Pepe: o central português apareceu no coração da grande área a cabecear forte depois de um canto batido por Alex Telles, empatou o resultado antes ainda do intervalo (42′) e tornou-se o mais velho de sempre a marcar pelo FC Porto, aos 37 anos e sete meses. Os últimos instantes do primeiro tempo ainda trouxeram um ensaio de reação por parte dos madeirenses, incluindo um remate forte de Hermes à malha lateral (45+3′), algo que deixava antecipar que a equipa de Vidigal não iria abdicar de lutar pelo resultado.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Marítimo:]

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e a história da primeira parecia repetir-se: o FC Porto tinha mais bola mas não conseguia fazer nada de extraordinário com ela, esbarrando sempre na organização defensiva do Marítimo. E tal como tinha ficado subentendido antes do intervalo, os madeirenses não tinham grande intenção de abdicar dos pontos ou sequer da vitória — e só precisaram de algo como sete minutos para voltar a ficar em vantagem. Correa bateu um livre em posição frontal contra a barreira, Getterson atirou uma recarga fortíssima de fora da grande área que foi até à trave da baliza de Diogo Costa e Rodrigo Pinho, de cabeça e totalmente sozinho, cabeceou para a baliza deserta (52′). O avançado de 29 anos chegou ao quarto golo esta temporada, ultrapassou Thiago Santana, do Santa Clara, e é já o melhor marcador do Campeonato.

Sérgio Conceição reagiu à desvantagem com a entrada de Taremi para o lugar de um desinspirado Luis Díaz mas o avançado iraniano teve alguma dificuldade em entrosar-se no ataque da equipa. Na última meia-hora da partida, o FC Porto intensificou a superioridade e o Marítimo remeteu-se por completo ao último terço do relvado, procurando atacar apenas em situações de transição rápida. Danilo rematou por cima (59′), Manafá atirou ao lado (62′), Correa e Rodrigo Pinho saíram e tanto Edgar Costa como Kibe, os dois jogadores que entraram na equipa de Vidigal, passaram a atuar bem atrás daquele que tinha sido o espaço dos elementos que foram substituir.

O dragões ainda ficaram muito perto de empatar, num lance em que Taremi desviou a bola e Renê evitou o golo mesmo em cima da linha (70′), e beneficiaram mesmo de uma grande penalidade que Amir defendeu depois do remate de Alex Telles (88′). Já durante os dez (!) minutos de descontos concedidos por Rui Costa, Nanu acabou por aproveitar o espaço deixado pelo FC Porto, que estava completamente balançado para a frente, e fez o terceiro golo dos madeirenses com um enorme remate de fora de área (90+4′). Até ao fim, Otávio ainda reduziu a desvantagem (90+10′) mas já não conseguiu evitar a derrota.

O FC Porto perdeu pela primeira vez na história com o Marítimo no Dragão e sofreu a primeira derrota da época, podendo ver o Benfica descolar já este domingo se vencer o Farense. Manafá foi o principal inconformado, Rodrigo Pinho marcou mais dois golos depois do bis contra o Tondela, Renê evitou um golo em cima da linha e Amir defendeu um penálti: e Lito Vidigal mostrou muito mais do que anti-jogo.

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