A Marinha de Israel está preparada para a chegada da nova geração de navios com mísseis, ficando coma uma nova ferramenta para defender a estratégica indústria de gás natural da ameaça do grupo libanês Hezbollah, segundo a AP.

O primeiro navio míssil do “Projeto Magen” está programado para chegar no início de dezembro com mais três corvetas de fabrico alemão e com previsão de chegada nos próximos dois anos.

“É maior. É mais recente. É mais rápido. É melhor”, disse o chefe das operações navais israelitas, o contra-almirante Eyal Harel, durante uma rara excursão ao campo de gás Leviathan, em alto mar.

As embarcações, comummente conhecidas por “Saar 6” estarão na vanguarda dos esforços israelitas para protegerem a sua zona económica exclusiva de 200 milhas. A indústria de gás natural é vista como um ativo natural e está no centro desses esforços.

Mais de uma década depois de encontrar reservas consideráveis na costa do Mediterrâneo, Israel gera agora cerca de 60% da sua eletricidade a partir do gás natural, de acordo com a companhia de eletricidade nacional.

Israel começou também a exportar gás para os seus vizinhos árabes como a Jordânia e Egito e está a realizar um projeto com a Grécia e Chipre na esperança de criar um gasoduto do Mediterrâneo Oriental para a Europa.

Com isto, o Hezbollah, movimento xiita que faz parte de uma aliança que domina a política libanesa, identificou as instalações de gás israelitas como alvos de alta prioridade.

Num discurso, em 2018, o seu líder, Hassan Nasrallah, disse que poderia destruir os ativos de gás israelitas “dentro de algumas horas” se houvesse uma ordem do Governo para o fazer.

O comandante da frota, o tenente-coronel Eitan Paz, disse que as novas embarcações trariam uma atualização bem-vinda aos envelhecidos “Saar 5”, que têm quase 30 anos.

Os novos “Saar 6”, adiantou, serão equipados com radares e outros sistemas eletrónicos mais novos e poderosos e vão lidar muito melhor com as marés agitadas do que os seus antecessores.

Os navios, de 90 metros, estão equipados com foguetes e sistemas de defesa contra mísseis, mísseis antiaéreos e antinavios, torpedos e uma plataforma de lançamento atualizada para os mais recentes helicópteros de ataque de Israel.

“Fisicamente não é muito maior que o Saar 5, mas acrescenta todos estes sistemas”, adiantou o tenente-coronel Eitan Paz.

Segundo o comandante, o primeiro navio deveria ter chegado em agosto, mas a entrega atrasou devido ao coronavírus. Eitan Paz disse que seria implementado imediatamente e atingirá a capacidade operacional total dentro de alguns meses após ser equipado com sistemas de armas israelitas, em várias fases.

Israel concordou em comprar os navios num negócio, em 2015, avaliado em cerca de 430 milhões de euros, com o governo alemão a apoiar em cerca de um quarto do custo.

Vários empresários israelitas, incluindo confidentes do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e um ex-comandante da Marinha, são suspeitos de um escândalo de suborno relacionado com a compra de navios de guerra e submarinos do conglomerado alemão ThyssenKrupp.

Benjamin Netanyahu, que está a ser julgado por outros três casos de corrupção, não foi citado como suspeito do escândalo e ninguém ativo na marinha israelita foi ligado ao caso.