O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu esta sexta-feira que os fundos europeus devem ter como “objetivo principal fortalecer as empresas”, mas disse não ter “tabus ideológicos” contra o investimento público, que deve funcionar como “complementar”.

“Há aqui diversos investimentos públicos que têm de ser complementares àquilo que é o objetivo principal, que é fortalecer as empresas”, apontou, numa intervenção de encerramento de um debate dedicado aos “Planos de recuperação da União Europeia no pós-Covid 19” organizado pelo Instituto Sá Carneiro e transmitida nas redes sociais do partido.

Como exemplos, apontou o reforço do Serviço Nacional de Saúde, o investimento numa resposta mais célere da Justiça — que disse ser hoje, muitas vezes, um ‘entrave’ à atividade económica — ou a aposta na ferrovia, que considerou “consensual a nível nacional”.

No mesmo debate, o eurodeputado Paulo Rangel fez alguns reparos ao esboço do plano de recuperação nacional e defendeu que as instituições europeias devem ajudar a controlar a forma como os Estados-membros gastam os fundos.

Quando vemos algumas das ideias que o Governo português está a propor, algumas são bastante boas, em linha com as da Comissão Europeia, mas arriscamo-nos a cometer alguns erros que fizemos no passado, que é dar um impulso, mas apenas por dois anos”, afirmou Rangel.

Numa intervenção em inglês, o antigo líder parlamentar social-democrata considerou que o plano nacional “está focado em conceções públicas e não num desenvolvimento verdadeiramente sustentável”.

“E aqui penso que as instituições europeias podem ter um papel forte, ajudar os países a controlar de uma forma muito clara como o dinheiro é gasto”, defendeu Rangel, na abertura do debate.

Na sua intervenção, o presidente do PSD, Rui Rio, defendeu que “são as empresas em primeiro lugar que constroem uma economia, dão os empregos e pagam os salários”, ressalvando que “Portugal tem um salário médio muito baixo e muito encostado ao salário mínimo”.

As empresas em primeiro lugar, mas sem tabus ideológicos de dizer que tudo o que é público é mau. Se o que é público é mau, então é ao contrário, então temos de pôr bem, porque o que é público é também muito relevante na nossa vida coletiva”, disse.

Rio elogiou a forma como a União Europeia foi capaz de responder à crise provocada pela pandemia de Covid-19, alertando que, se não o tivesse feito, corria o risco de se fechar e fazer aumentar os extremismos nos Estados-membros.

“Todos os momentos maus não são 100% maus, se conseguirmos e tivermos criatividade temos partes positivas dos momentos maus. A parte positiva deste momento mau é o dinheiro que vem e a oportunidade de modernização”, disse.

O líder do PSD alertou que, no passado, Portugal nem sempre soube gastar bem as verbas provenientes da Europa, o que resultou em dívidas externas e numa dívida pública “muito elevadas”.

Muitas vezes não teve consciência que, se eu gasto agora, eu endivido-me e alguém no futuro terá de pagar. Se gasto mal e me endivido mal, quem vier depois não terá os recursos para pagar que deveriam ser gerados pelo próprio investimento”, advertiu, sem nunca se referir concretamente ao plano de recuperação nacional.

Já o eurodeputado do PSD e vice-presidente do Partido Popular Europeu Paulo Rangel, disse ser uma preocupação entre a população portuguesa que o dinheiro do fundo de recuperação europeu “seja bem gasto”.

“É uma oportunidade única para a maioria dos países e não a devemos perder, não podemos desperdiçá-la”, apelou.

Na segunda-feira, o presidente do PSD, Rui Rio, e o presidente do Conselho Estratégico Nacional do partido, Joaquim Miranda Sarmento, apresentam no Porto a visão do partido de como deverão ser gastos os fundos europeus para a próxima década.