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José Santos, experiente diretor desportivo da Rádio Popular-Boavista, resumiu tudo numa ideia – pela forma como o traçado estava feito em 2020, esta edição especial da Volta a Portugal foi discutida de uma maneira emocionante até à etapa da Torre mas, a partir daí, tornou-se uma corrida para fugitivos e velocistas até ao contrarrelógio de 17,7 quilómetros em Lisboa que definiria o vencedor da corrida. No entanto, e como também fez questão de sublinhar, ainda havia a passagem pela Arrábida até à chegada em Setúbal, numa etapa de 161 quilómetros com início em Loures. E foi sobretudo aí que se escreveu a história da penúltima etapa da prova.

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Fosse por uma questão tática para preparar depois terreno para o melhor classificado na equipa, fosse para lutar mesmo pela etapa, António Carvalho (Efapel) e Luís Fernandes (Rádio Popular-Boavista) descolaram a cerca de 20 quilómetros de um pelotão que na subida foi quase sempre comandado pela W52 FC Porto mas nunca com a força suficiente para criar um fosso capaz de decidir a etapa. A dez quilómetros da meta, numa fase de descida, o avanço da dupla era de 15 segundos, que chegou a subir aos 22 segundos antes de Alejandro Marque (Tavira) fazer o seu ataque. Só mesmo a W52, líder na classificação individual e na coletiva, não teve necessidade de arriscar.

Antes, o grupo de fugitivos que arrancou pouco depois do arranque em Loures foi maior do que normal com um total de 16 corredores: Daniel Mestre (W52 FC Porto), José Neves, Carlos Canal (Burgos), Joel Nicolau (Caja Rural), Hideto Nakano (Nippo Delko Provence), Kyle Murphy (Rally Cycling), David de la Fuente, Jesús del Pino (Louletano), Tiago Machado (Efapel), Óscar Pelegrí, Jesús Carretero (Feirense), Luís Gomes (Kelly-Simoldes Oliveirense), Gonçalo Leaça, Marvin Scheulen, Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport) e Alberto Gallego (Rádio Popular-Boavista). Como não resultou, ao quilómetro 25 formou-se novo grupo, agora com Ángel Madrazo (Burgos), Iol Irisarri (Caja Rural), Gavin Mannion (Rally Cycling), Anthony Delaplace (Team Arkéa-Samsic), Óscar Pelegrí (Feirense), Luís Gomes (Kelly-Simoldes Oliveirense), Marvin Scheulen (LA Alumínios-LA Sport) e Joaquim Silva (Miranda-Mortágua). A vantagem chegou aos 2.30 minutos mas um objetivo foi cumprido.

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Depois de ter perdido a liderança da classificação por pontos para Daniel McLay na véspera, britânico que foi o único corredor a ganhar mais do que uma etapa em 2020, Luís Gomes voltou a saltar para o primeiro lugar desta classificação como era o seu propósito. Ainda antes do início da subida da Arrábida, os fugitivos foram por fim neutralizados e o pelotão começou a partir, de novo com aquele jogo muito tático onde os primeiros classificados nunca tiveram grandes oportunidades para descolarem e tentarem a sua sorte em Setúbal. António Carvalho e Luís Fernandes pareciam determinados a decidir entre si o triunfo na etapa, Alejandro Marque quase foi a tempo de se meter ainda na luta acompanhada com ligeira distância pelos primeiros da classificação em bloco mas a vitória acabou mesmo por cair ao sprint para António Carvalho, da Efapel.

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Com a chegada dos principais candidatos em bloco, a decisão da Volta fica assim reservada para o contrarrelógio de amanhã em Lisboa. Amaro Antunes parte de amarelo com 13 segundos de avanço de Frederico Figueiredo mas na luta está também o veterano Gustavo Veloso, a 1.13 minutos do primeiro lugar. Seguem-se João Benta (1.27, uma margem que deverá colocar em risco a quarta posição), Jóni Brandão (1.37, o melhor da Efapel), João Rodrigues (2.00, vencedor da edição do ano passado) e Alejandro Marque (2.15). Já estão também definidas as horas de saída, com António Carvalho, o oitavo classificado, a começar a prova às 16h46, seguindo-se de dois em dois minutos os restantes posicionados até Amaro Antunes, o último que arranca às 17h.

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