A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, manifestou-se empenhada em continuar “a trilhar o caminho de consensos” à esquerda, alertando para o risco de “somar instabilidade política” à crise sanitária.

Numa mensagem alusiva ao 110.º aniversário da Implantação da República divulgada este domingo no site do grupo parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes recorda o percurso feito na anterior legislatura. A mensagem também surge no dia seguinte à líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, ter dito que há um impasse negocial com o Governo no que diz respeito ao Orçamento do Estado para 2021.

Catarina Martins diz que há “impasse negocial” no Orçamento, mas recusa fazer cenários

“Nos últimos anos, conseguimos, em conjunto com a restante esquerda parlamentar, conquistas fundamentais na recuperação de rendimentos, nos direitos dos trabalhadores, na criação de emprego, no reforço do Estado Social, na melhoria da economia. Estamos empenhados, como sempre estivemos, em continuar a trilhar o caminho de consensos iniciado na anterior legislatura”, afirmou.

Para Ana Catarina Mendes, prosseguir este caminho é necessário “não para salvar um governo, mas para salvar um país e para responder com soluções aos problemas dos portugueses”.

“À crise sanitária e às inevitáveis consequências económicas e sociais, cuja extensão ainda não se conhece totalmente, não podemos somar instabilidade política”, apelou, numa altura em que ainda não está garantida a aprovação da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2021.

Na mensagem alusiva ao 05 de Outubro, Ana Catarina Mendes salienta que “a democracia é um processo em permanente construção” e avisa que “quem explora o medo e o desespero legítimo de muitos portugueses, arrisca-se a abrir caminho aos inimigos da Constituição da República e da democracia”.

“Está nas nossas mãos, nas mãos de todos os democratas, evitar que isso aconteça”, referiu.

A líder parlamentar do PS exaltou ainda “os valores republicanos da democracia, da solidariedade, da igualdade e da dignidade humana”.

“Hoje, mais do que nunca, é preciso relembrar a todos os democratas que o que está em causa é o imperativo de reforçar o Estado Social — o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública, a Segurança Social, a proteção no emprego, a promoção da justiça social, e a defesa da liberdade e da democracia”, afirmou, considerando que estes são “valores matriciais e identitários” do PS.

“Hoje é dia de festejar a República e de evocar os heróis que, em 1910, nos abriram um novo horizonte e regime político mais solidário, e que tem por objetivo fundamental a promoção da justiça social. É nosso dever preservá-lo!”, conclui.