O PSD revê-se “integralmente” no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa esta segunda-feira nas cerimónias do 05 de outubro. E porquê? Porque foram palavras “muito adequadas ao momento”, devido ao apelo à “consensualização e ao sentido de responsabilidade” de todos os agentes políticos.

“É muito importante que todos percebamos que a questão sanitária durará, esperamos nós, o menor tempo possível. Mas a questão económica que se sobreporá durará muito mais. É muito importante que exista consensualização, sentido de responsabilidade e sobretudo um poder de fiscalização enormíssimo”, disse o vice-presidente do PSD André Coelho Lima já na fase em que respondia a perguntas dos jornalistas.

Antes, o deputado social-democrata, que reagiu em nome do PSD ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia comemorativa do 110.º aniversário da Implantação da República, disse que o PSD se “revê-se integralmente nas palavras” do Presidente da República, o qual fez “um discurso muito institucional e muito adequado ao momento que vivemos”.

“[O discurso] dividiu em três partes essenciais que vão ao encontro do que tem sido essa a postura do PSD”, referiu André Coelho Lima, segundo o qual Marcelo Rebelo de Sousa “ao falar do estado de exceção sanitária que vivemos que tem repercussões na vida económica e social, alertou para o sufoco das micro, pequenas e médias empresas”.

“O que é um apelo claro à negociação orçamental que está a decorrer, um apelo claro a que o Governo consiga resistir em, para aprovar o orçamento, ponha em causa a economia das empresas porque delas depende a qualidade de vida e a manutenção dos empregos”, disse André Coelho Lima, numa unidade hoteleira no Porto onde para a parte da tarde está agendada a apresentação do “Programa Estratégico dos Fundos Europeus para a Década” com a presença do líder do partido, Rui Rio.

Para o vice-presidente do PSD, o apelo ao sentido de responsabilidade “pode ser visto num sentido estrito ou imediato, em termos de negociação orçamental, ou visto num sentido mais lato”.

O vice-presidente do PSD também interpretou o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa como um “aleta para um aproveitamento cioso e ético dos fundos europeus que vão ser disponibilizados” a Portugal, vendo as palavras do Presidente da República como uma forma de “pressão” para que “todos saibam estar à altura”.

André Coelho Lima disse que existe “um dever acrescido de todos de consensualização” para evitar “o que já se fez no passado” que foi, acrescentou, “permitir que a quantidade anormalmente elevada de fundos fosse aproveitada por uns e não em benefício de todos”.

Voltando à interpretação do que disse ter sido uma mensagem “muito construtiva dedicada aos cidadãos e aos políticos” sobre a atual “situação de exceção sanitária”, Colho Lima defendeu que se deve “resistir ao comentário sobre questões que são eminentemente técnicas e de saúde pública” e falou da postura do PSD que foi “por vezes incompreendida”.

“O doutor Rui Rio é firme no que disse em março de que o PSD sabe interpretar o momento que o país e o mundo atravessam e estará sempre ao lado do país, o que significa estar ao lado do Governo no combate à pandemia”, frisou.

Hoje, na cerimónia comemorativa do 110.º aniversário da Implantação da República, o Presidente da República apelou à unidade no essencial na resposta à crise provocada pela covid-19, com equilíbrio entre proteção da vida e da saúde e da economia, e sem dramatização a mais nem a menos.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa, defendendo que é preciso “continuar a compatibilizar a diversidade e o pluralismo com a unidade no essencial”.

“O que nos diz este 05 de Outubro é que temos de continuar a resistir, a prevenir, a cuidar, a inovar, a agir em liberdade, a saber compatibilizar a diversidade com a convergência no essencial, a sobrepor o interesse coletivo aos meros interesses pessoais”, afirmou.

O chefe de Estado referiu que “há quem prefira soluções para o estado de exceção sanitária que sacrificariam drasticamente economia e sociedade” e “há quem prefira soluções para a economia e sociedade que aumentariam riscos para a vida e saúde”.

“Há quem proponha tempos e modos diferentes, do lado da vida e da saúde, como do lado da economia e da sociedade. Esta diversidade é democrática, e é por isso respeitável. Procuremos respeitá-la, buscando a convergência no essencial, evitando quer o excesso de dramatização, quer o excesso de desdramatização dos dois lados”, acrescentou.