Os dois ativistas raptados na segunda-feira em Bissau foram esta terça-feira libertados, disse o presidente da organização não-governamental (ONG) Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário Silva.

Em declarações à Lusa, Augusto Mário Silva confirmou que eram dois ativistas e não um como inicialmente tinha anunciado. “Carlos Sambu e Queba Sane estavam detidos nas celas da segunda esquadra, que fica ao lado do Ministério do Interior”, precisou.

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos considerou que se tratou de um “autêntico rapto” e exigiu explicações ao Ministério do Interior sobre as razões daquela “atuação inexplicável”. A ONG “insta também o Ministério Público a abrir um inquérito para determinar as circunstâncias em que os jovens foram raptados e os autores morais e materiais”.

Questionado pela Lusa sobre se os dois jovens foram espancados, Augusto Mário Silva disse ter recebido relatos de testemunhas que confirmam que viram homens fardados a espancar os jovens.

O Ministério do Interior libertou os dois jovens sem “nenhuma explicação”, acrescentou. Os dois jovens estão ligados aos elementos do atual poder em funções na Guiné-Bissau e assumiam-se como “combatentes pela nova independência” do país em referência às lutas políticas que o seu grupo travou contra o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Nos últimos tempos, porém, eram visíveis, na página de Queba Sane, vulgarmente conhecido por RKelly, na rede social Facebook, algumas abordagens críticas contra a atuação do atual poder instalado na Guiné-Bissau. A mais vincada crítica foi quando RKelly considerou inaceitável o encerramento de ruas e avenidas de Bissau em 24 de setembro, por ocasião das celebrações do 47.º aniversário da independência nacional, por causa da visita ao país de quatro chefes de Estado da sub-região.