Cinco anos depois, a justiça grega chegou finalmente à conclusão de que a Aurora Dourada, partido de extrema-direita, é também uma organização criminosa. Sete antigos deputados do partido, incluindo o líder Nikos Michaloliakos, foram considerados culpados por gerirem a organização e os restantes 61 arguidos por nela participarem, de acordo com a Associated Press.

Este julgamento juntou quatro casos num só, de acordo com a agência de notícias — o assassinato, por esfaqueamento, do rapper grego Pavlos Fyssas; o ataque a pescadores imigrantes; ataques a ativistas de esquerda; e o papel da Aurora Dourada como organização criminosa.

Giorgos Roupakias, apoiante do partido, foi condenado por matar Pavlos Fyssas, no primeiro veredicto do dia. Depois, o líder do Aurora Dourada, Nikos Michaloliakos, e outros 17 antigos deputados ficaram a saber que vão ter de passar pelo menos 10 anos na prisão por liderarem uma organização criminosa. Várias dezenas de membros do partido ou de pessoas próximas foram ainda considerados culpados na sequência de ataques violentos em 2013.

O partido, fundado nos anos 80 como uma organização neo-nazi e que acabou por se tornar na terceira força política no Parlamento durante a crise financeira, nega ter ligações diretas aos ataques de que é acusado e fala mesmo numa conspiração.

Assim que foi conhecido o veredicto, houve confusão em frente ao tribunal, onde se encontravam 15 mil pessoas num protesto anti-fascista. A agência de notícias dá conta de que um pequeno grupo atirou projéteis (não ficando claro as circunstâncias em que o fez), com a polícia a responder com gás lacrimogéneo e canhões de água.