A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) exige que a Carris realize testes rápidos para deteção da Covid-19 aos trabalhadores, mas a empresa diz que não os faz, referindo ainda que a sua eficácia carece de homologação.

Em comunicado, a FECTRANS reivindica que a transportadora realize testes rápidos, justificando o pedido com um aumento do número de trabalhadores da empresa em regime de confinamento profilático e a época do ano.

No entanto, numa resposta escrita à agência Lusa, a Carris indica que não realiza testes rápidos aos trabalhadores, sublinhando que esta tipologia de testes carece ainda de homologação quanto à sua eficácia por parte das autoridades competentes, e acrescenta que não houve surtos na empresa.

Na nota, a FECTRANS diz que enviou ofícios à ministra da Saúde, Marta Temido, à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, a pedir reuniões para abordar o assunto.

De acordo com informação que recebemos do Conselho de Administração da Carris, nos últimos tempos têm aumentado o número de trabalhadores da empresa em regime de confinamento profilático”, refere a FECTRANS.

No entendimento da federação, “este facto, associado à manutenção da Covid-19, à entrada do outono e à aproximação do inverno, tradicionalmente marcados pelo surto da gripe, justifica e exige a realização de testes rápidos para deteção” da Covid-19 aos trabalhadores da Carris, CarrisBus e CarrisTur.

A federação lembra que a Carris é uma empresa de transporte público de passageiros que visa “responder às necessidades da população e ao funcionamento da economia da cidade de Lisboa”.

Por isso, considera que a realização de testes rápidos é importante para “reforçar a política de proteção da saúde dos trabalhadores, prevenir e evitar a propagação da Covid-19, assegurar uma gestão cuidada dos serviços que a empresa presta e transmitir confiança aos que utilizam este meio de transporte”.

A FECTRANS considera ainda que a realização destes testes deve ser encarada como um investimento na proteção dos trabalhadores e na salvaguarda do funcionamento normal do serviço a prestar à população.

Apesar de o problema ter sido colocado atempadamente ao Conselho de Administração da Carris, não teve deste, como se desejava, uma resposta positiva”, refere ainda a FECTRANS.

A Carris salienta, por seu turno, que “pauta a sua atividade pela proteção e segurança dos seus trabalhadores, no estrito cumprimento das orientações das autoridades de saúde, em particular as veiculadas pela Direção-Geral de Saúde, e pelo conjunto de procedimentos que implementou e que constam no seu Plano de Contingência”.

“Desde que foi declarado o início da pandemia, face ao universo de trabalhadores Carris, um número residual de trabalhadores testou positivo para Covid-19 na sequência da sua vida familiar e comunitária, não tendo sido, até à data, identificada qualquer situação de surto na empresa”, afirma Realinho de Matos, vice-presidente, na resposta.