Realizada em contexto de pandemia, a 31ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) tem como tema “Limites do Humano” e irá explorar discursos e pensamentos sobre as ciências e a política, numa programação que inclui 13 espetáculos, um concerto-performance, três workshops online, um lançamento de um livro e duas masterclasses.

Este ano, o festival conta com a participação de seis países – Holanda, Cabo Verde, Bélgica, França, Espanha e Portugal –, num total de 25 apresentações que acontecem em dez salas do Porto e de Matosinhos [Teatro Carlos Alberto, Teatro Rivoli, Teatro Campo Alegre, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, Teatro de Ferro, Palácio do Bolhão, Teatro Helena Sá e Costa, Mira Fórum, Círculo Católico dos Operários do Porto].

“Esta é uma edição marcada pelo surto de um vírus [Covid-19] que poderá ter vindo para ficar por uns tempos. Neste contexto, procuramos o mais possível manter o programa inicialmente previsto. Deste modo, assumimos os nossos compromissos com os artistas, as equipas, as instituições parceiras e claro, o público”, salienta o diretor artístico do festival, Igor Gandra.

Depois de em 2019 celebrar 30 anos, o FIMP arranca esta sexta-feira no Teatro Carlos Alberto com “Kamp”, da companhia holandesa Hotel Modern, um espetáculo que confronta o público com a história recente da humanidade através do Holocausto Nazi, “um exemplo enfático de uma experiência-limite para a condição humana”.

Em palco estará uma maquete “enorme”, representando o campo de extermínio nazi Auschwitz-Birkenau, com casernas sobrelotadas e milhares de marionetas de sete centímetros, que representam os prisioneiros e os seus carrascos. No ano em que se assinalam os 75 anos da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, neste espetáculo, a plateia é a testemunha silenciosa do assassínio em massa, cometido numa cidade construída para o efeito.

No próximo sábado, 10 de outubro, haverá apresentações em dose tripla no dois pólos do Teatro Municipal do Porto. Às 17h, o Pequeno Auditório do Teatro Rivoli acolhe a estreia absoluta de “O Cheiro do Velhos”, uma coprodução luso-cabo-verdiana que junta o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo e o Teatro de Marionetas do Porto. O espetáculo é uma encenação de João Branco, a partir de um texto de Caplan Neves, escritor que venceu a 2.ª edição do Concurso Nacional de Dramaturgia, organizado pelo Centro Cultural Português. A peça volta a ser apresentada no domingo à mesma hora.

Também no Rivoli, mas desta vez no Grande Auditório, às 19h00, Olivier de Sagazan apresenta “Transfiguration”, uma performance que é “a história do desejo não cumprido do escultor de incutir vida na sua criação”. O artista francês criou o espetáculo em 1998 e, desde então, fez mais de 300 performances em duas dezenas de países. A fechar o programa deste sábado, o Teatro Campo Alegre acolhe pelas 21h a estreia nacional de “Bad Translation”, de Cris Blanco, que propõe converter o cenário num computador analógico e trazer a vida digital para palco.

A 13 de outubro, Miguel Falcão e Catarina Firmo lançam o livro “Teatro de Marionetas e Formas Animadas: Teorias e Práticas”, sendo uma resposta ao apelo de revalorização das marionetas e formas animadas, que alia as vertentes da criação, da investigação e da formação, cuja confluência tem dado origem à recuperação ou preservação de tradições e à renovação ou disseminação de práticas artísticas.

Do programa do FIMP, destacam-se ainda os espetáculos “Uma Coisa Longínqua”, do Teatro de Ferro & Carlos Guedes, “O Fim do Fim”, da Alma d’Arame & Companhia João Garcia Miguel, ou “Lições de Voo” do Teatro de Marionetas do Porto.

Filipe Moreira, vencedor da quarta bolsa de criação Isabel Alves Costa, apresenta, em estreia absoluta, o espetáculo “Fibra”, a que se juntam outras estreias como “O que já não é e o que nunca foi”, de Joaclécio Azevedo, e “O Cheiro dos Velhos”, do Grupo Cultural Português do Mindelo & Teatro de Marionetas do Porto. Também em estreia absoluta no FIMP estará o espetáculo “Lilliput”, da bailarina espanhola residente em Portugal, Ainhoa Vidal, outra das produções em destaque na programação

A edição de 2020 encerra no dia 18 de outubro com a proposta belga “Cratère 6899”, de Gwendoline Robin. O espetáculo nasce do encontro da artista belga com o astrónomo Yeël Naze e o oceanógrafo Bruno Delille, resultando numa performance-instalação sobre as “origens do mundo”.

A lotação das salas será limitada a 50% da sua capacidade, cumprindo as normas da Direção-Geral da Saúde e os preços variam entre os 2,50€ e os 12€.