Quem vê as fotografias do cenário na Grande Muralha da China no fim de semana passado, não diz que o mundo (ainda) está a atravessar uma pandemia. Multidões de pessoas que se comprimem de forma a caberem todas na travessia, tentando atravessar as portas estreitas da atração turística, algumas com as máscaras no queixo e outras sem máscara de todoé o cenário que descreve a CNN travel.

Passou a Semana Dourada na China, um feriado nacional que teve início dia 1 de outubro e se estendeu ao longo de oito dias. Com situação pandémica debaixo de olho, a taxa de transmissibilidade perto de zero e incentivos locais e municipais e descontos nas atrações turísticas, tornou-se difícil resistir a viajar pelo país.

Foi o caso da secção Badaling, a mais popular da Grande Muralha da China, que viu uma enchente de pessoas durante a semana passada. A atração reabriu no final de março com as devidas restrições, apelando os visitantes ao uso de máscara, distanciamento de segurança e marcação de bilhetes para garantir que a sua capacidade não ultrapassava os 30%.

Ora, nenhuma destas restrições parecia estar a ser cumprida durante os feriados. Na semana que antecedeu a celebração, as autoridades competentes aumentaram a capacidade do espaço para 75%, significando um limite diário de 48.750 visitantes. Para além disto, segundo uma agência de notícias chinesa referida no artigo da CNN, no passado dia 3 de outubro os bilhetes para visitar a Muralha esgotaram logo pela manhã.

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Os dados do Ministério da Cultura e do Turismo Chinês, apontam que em apenas 4 dias de férias, 425 milhões de viagens foram feitas na China, gerando uma receita de mais de 45 mil milhões de dólares (aproximadamente 38 mil milhões de euros).

Esta semana, a par das celebrações do Ano Novo Chinês, é a que regista um maior volume de viagens por parte dos chineses de classe média. Este ano, devido à pandemia de Covid-19, que implicou restrições em voos internacionais, os cidadãos viram-se obrigados a viajar para dentro do país.

O país atravessou então um período de teste, após ter conseguido baixar os números de casos de coronavírus. Desde a primavera que os relatórios diários da China têm mostrado ter pandemia controlada, embora com alguns surtos esporádicos, como é o caso da capital Pequim em junho. No entanto, estes casos são imediatamente controlados em poucas semanas, através de um confinamento imediato e um aumento no número de testes realizados.