O especialista José Artur Paiva, da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19, considerou esta quinta-feira “importantíssimo” o concurso para recrutar 48 médicos intensivistas no âmbito da capacitação necessária para o Plano Outono/Inverno.

Segundo um despacho publicado esta quinta-feira em Diário da República, as unidades do Serviço Nacional de Saúde podem preencher até 48 postos de trabalho de pessoal médico, na área de medicina intensiva, durante este ano.

Em declarações à agência Lusa, José Artur Paiva, diretor do serviço de medicina intensiva do Centro Hospitalar Universitário de São João, destacou a importância deste concurso, adiantando que já estava pedido pela Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19.

Este concurso é importantíssimo. Estava por nós pedido há bastante tempo à tutela dentro do âmbito da capacitação da Medicina Intensiva que é necessária para o Plano Outono Inverno”.

Este outono/inverno vai ser “uma fase extremamente complicada”, nomeadamente na área da Medicina Intensiva, em que há sempre uma procura maior destes cuidados.

Por outro lado, “o país não está confinado, nem está previsto haver confinamento nesta fase e, portanto, todas as outras patologias deverão acontecer e vão precisar de resposta, por exemplo, vai continuar a haver grandes traumatizados, vai continuar a haver cirurgia major e porque os agentes que provocam pneumonia e infeção respiratória não vai ser apenas o SARS-Cov-2”, que provoca a doença covid-19, salientou.

“Vai haver outros agentes normais desta época do ano, algumas bactérias, a gripe e outros vírus e, portanto, a capacitação da medicina intensiva é muito importante”, defendeu o especialista, lembrando que o país tem “um défice crónico” de camas de medicina intensiva e de especialistas.

Segundo o médico, a capacitação da Medicina Intensiva necessita de camas, ventiladores, equipamento, mas precisa de pessoas para trabalhar esses equipamentos.

A capacitação terá a força do seu elo mais fraco e, portanto, é com recursos logísticos, equipamento e recursos humanos que conseguimos essa capacitação”.

Sobre se haverá muitos médicos interessados, José Artur Vaz afirmou que “provavelmente” haverá um número de candidatos superior às vagas abertas.

A Medicina Intensiva é uma área extremamente apelativa para a geração mais nova de médicos e estamos a falar num grupo de pessoas que tem já uma especialidade hospitalar de base e que está a concorrer para se para colocar em serviços de Medicina Intensiva de forma a constituir uma carreira como especialista de Medicina Intensiva”.

O especialista avançou ainda que o plano da comissão prevê a abertura de um segundo concurso por volta de março, altura em que o número de camas de Medicina Interna será alargado de 629 para 900, segundo o plano de capacitação.

Mas também “é muito importante” a colocação de mais enfermeiros nos hospitais, que permita a deslocação dos mais capacitados para a Medicina Intensiva, onde “são fundamentais”.

Idealmente o rácio enfermeiro/doente é de um para um e no “pior cenário” é de um para dois doentes, elucidou.

SNS pode recrutar 48 médicos intensivistas até ao final do ano