A Amazónia brasileira registou, entre janeiro e setembro deste ano, 76.030 queimadas, o maior número desde 2010, quando foram registados 102.409 focos de incêndio no mesmo período, informou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Verificou-se um aumento em 14% das queimadas, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando se registaram 66.749 incêndios na Amazónia brasileira. Já a desflorestação da maior floresta tropical do mundo atingiu mais de sete mil quilómetros quadrados de janeiro a setembro, um número alarmante, apesar de uma queda de 10% face o mesmo período de 2019, ano em que foram quebrados todos os recordes, segundo o mesmo organismo público.

Os dados oficiais divulgados pelo Governo brasileiro também mostraram que 964 quilómetros de floresta amazónica foram devastados só em setembro, uma queda de 34% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com 7.063 quilómetros quadrados de florestas tropicais a menos, o nível de desflorestação no Brasil nos primeiros nove meses do ano permanece abaixo do nível de 2019 (7.869 quilómetros quadrados). Mas esse total é significativamente superior ao registado em 12 meses dos quatro anos anteriores (4.951 km2, em 2018; 3.551 km2, em 2017; 6.032 km2, em 2016, e 2.195 km2, em 2015).

A organização não-governamental Observatório do Clima divulgou uma nota a criticar o que disse ser a inação do Governo brasileiro face à destruição da Amazónia, frisando que em 2016, 2017 e 2018 a média mensal de alertas de desflorestação era de 576 km2, mas mais que duplicou, para 1.189 km2, desde que o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tomou posse em janeiro de 2019.

Os dados também indicam que mesmo que a desflorestação tenha diminuído em relação a 2019, o número de queimadas aumentou 61% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado, com 32.017 focos identificados pelos satélites do INPE.

Na quinta-feira, a Advocacia-Geral da União (AGU), que defende o Governo brasileiro em processos judiciais, teve de dar explicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o aumento dos incêndios florestais no país. Segundo a AGU, o Governo brasileiro não falhou na sua tarefa de limitar as queimadas e justificou que a alta incidência dos focos de calor se deve principalmente à seca histórica que atinge o Pantanal e a Amazónia neste ano.