Nos últimos dias de setembro e nos primeiros de outubro, o número de consultas por causa da Covid-19 disparou nos centros de saúde para os números registados no pico da pandemia em finais de março e início de abril. Segundo o primeiro boletim de vigilância epidemiológica da gripe, esta quinta-feira divulgado do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, os médicos de família deram 40 mil consultas, sobretudo a criança e a adolescentes, mas também a adultos entre os 20 e os 49 anos, avança o Público.

Entre 28 de setembro e 4 de outubro a idade dos utentes consultados corresponde aquilo que as estatísticas nos têm mostrado: há menos idosos infetados e, por isso, menos mortos. Ainda assim a afluência às consultas ainda não é maior do que a capacidade dos centros de saúde.“Este valor está muito aquém do que são as nossas capacidades”, explica o presidente da Associação de Médicos de Família Rui Nogueira ao Público, lembrando que estão previstas “ter entre 10 a 20 mil consultas diárias no inverno”, o que feitas as contas elevará este número.

“Há cinco mil médicos de família, se cada um vir cinco doentes por dia dá um número muito mais elevado do que este. Há 900 unidades de cuidados primários, ter dez doentes por dia em cada uma é facílimo”, estima.

Estas 40 mil consultas nas agora denominadas Áreas Dedicadas a Doenças Respiratórias foram indicadas ou  pelo SNS24, ou através do contacto direto com o Centro de Saúde, o que significa que tinham pelo menos um sintoma que os tornava elegíveis para irem a esta consulta. Só depois é decidido se têm que fazer o teste, contando que este processo demora dias. “Precisamos de testes de resposta rápida. Mais do que testes rápidos precisamos que os testes que existem dêem uma resposta mais rápida.”

A situação deverá agravar no inverno, com os sintomas de muitas doenças do foro respiratório a aparecerem. E a aliar a este aumento de casos, há também o aumento da burocracia. “Temos de retirar aos médicos de família todas as atividades desnecessárias. Não se justifica vir ao médico para ter um papel para dizer que o menino pode voltar para a escola, ou que o pai pode meter baixa para acompanhar os filhos ou para faltar ao trabalho. É uma medida política urgentíssima. É urgentíssimo retirar isto de cima dos médicos”, sublinha.

A ministra da Saúde, Marta Temido, explicou esta sexta-feira na habitual conferência de imprensa sobre a pandemia que se está a falar num volume total de 31 milhões de consultas anuais, tentando mostrar que o peso destas consultas não é assim tão significativo.