Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado esta quinta-feira sugere ser mais benéfico para a economia um confinamento mais curto, mas mais duro, do que medidas restritivas suaves que se arrastam no tempo. Segundo o espanhol La Vanguardia, o estudo apresentado online, esta quinta-feira, na reunião de outono baseou-se em dados da Google e da Vodafone para medir os efeitos do confinamento quanto à mobilidade, ao emprego e à atividade em diferentes países.

A equipa liderada pelo investigador Damiano Sandri concluiu que um confinamento mais restrito, e mais duro, por muito impacto que possa ter a curto prazo, a médio prazo poderá ser favorável nos números. E tudo por causa do impacto psicológico dessas medidas. É que, segundo consideram, as pessoas não começam a consumir porque as medidas estão mais relaxadas. Como continuam a haver medidas restritivas às deslocações ou aos ajuntamentos, por exemplo, as pessoas deixam de fazer determinadas atividades, como viajar de avião.

Agora se o confinamento for por um tempo limitado e que contribua de uma forma drástica para a situação sanitária, com uma diminuição dos casos, então o consumidor sentir-se-á confiante e a médio prazo esse custo económico será menor.

Apesar de o estudo não epecificar as medidas de cada país, conclui que por exemplo na China e em Israel, onde o confinamento foi mais duro, registou-se uma perda de riqueza mais moderada, ao contrário de Espanha, França ou Reino Unido que ao imporem medidas restritivas mais tarde e ao levantá-las antes sofreram um maior retrocesso económico.

Outra da conclusões do estudo prende-se com o impacto do confinamento nos homens e nas mulheres. Esta equipa concluiu também que aumentou a desigualdade de género nas empresas que optaram pelo lockdown. As mulheres foram mais afetadas por esta medida que coincidiu com o encerramento das escolas e com os filhos a cargo em casa. “A evidência aponta um efeito desproporcionado nas medidas de bloqueio nas mulheres, concluíram”. Também entre a população mais jovem, entre os 18 e os 44 anos, a mobilidade foi muito mais reduzida, por terem empregos mais precários e, por isso, terem sido os primeiros a perderem os seus empregos.