A defesa de Paulo Lalanda e Castro requereu o afastamento do juiz Carlos Alexandre da instrução do processo O Negativo. Em causa, está o facto de a defesa do suspeito alegar que existem vários motivos que incompatibilizam o juiz com a sua função, noticia o Público.

O ex-responsável da Octapharma Portugal foi acusado pela participação num alegado esquema de corrupção que envolve a venda de derivados de plasma humano ao Serviço Nacional de Saúde, que durou entre 1998 e 2013, e que gerou avultados lucros à empresa de Lalanda e Castro.

Carlos Alexandre é o juiz responsável por liderar a instrução, fase opcional em que se decide se os arguidos seguem ou não para julgamento. No entanto, a defesa de Lalanda e Castro revela que existe uma animosidade entre a família de Carlos Alexandre e a do arguido, defendendo que isso que cria entraves à imparcialidade da atuação do juiz, avança o Público.

De acordo com o livro “Carlos Alexandre — O Juiz” de Inês Bastos e Raquel Lito, lembra a Sábado, o tio de Lalanda e Castro, Anastácio Nogueira Lalanda, mantinha uma má relação com o pai de Carlos Alexandre. Na origem dos problemas, terá estado o tratamento pouco formal com que o progenitor do juiz tratava o tio de Lalanda, dono de um colégio, em Mação. O tio do arguido queria ser tratado por “senhor”, mas o pai de Carlos Alexandre tratava-o simplesmente por “professor”.

Além disso, a relação esfriou ainda mais, quando o familiar do juiz se atrasou a pagar a mensalidade do colégio do irmão mais velho de Carlos Alexandre, chegando a humilhar o estudante em frente dos colegas, garantindo que não o levaria a exame, caso o pai não pagasse o devido.

Por conseguinte, o início da instrução, inicialmente agendado para a passada segunda-feira, foi adiado.

O incidente será agora decidido pelo Tribunal da Relação de Lisboa, que tem 30 dias para formalizar a decisão de afastamento ou manutenção do juiz.