A percentagem de condutores apanhados com álcool no sangue caiu para metade nos últimos 10 anos, mas a proporção dos que tinham uma taxa igual ou superior a 1,2 g/l subiu 11%, segundo um relatório esta sexta-feira divulgado.

Segundo o relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) que avalia a condução sob influência de álcool no período 2010-2019, o número de ações de fiscalização para deteção do estado de influência pelo álcool aumentou 61,6%, a taxa total de infratores diminui 50,0%, mas a proporção de infratores com taxa igual ou superior a 1,2g/l (considerada crime) subiu 11%.

No que se refere à percentagem de infratores com taxa de álcool no sangue (TAS) igual ou superior e 0,5g/l, relativamente ao total de condutores testados (taxa de infratores), “verifica-se desde 2009 uma diminuição com oscilações, sendo que, em 2019 se verificou o valor mais baixo dos últimos 11 anos (1,9%)”.

Segundo os dados da ANSR, os acidentes em que pelo menos um dos condutores apresentava uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,50g/l, apesar de representaram no período em análise apenas 6% do número total dos acidentes, causaram mais de um quinto (20,9%) do número global de mortes.

Já em relação aos condutores vítimas de acidente autopsiadas pelo INMLCF no mesmo período, a percentagem de vítimas mortais com taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,50g/l em 2019 foi de 37,0%, valor mais elevado que nos anos anteriores e apenas semelhante ao verificado em 2010 e 2012.

Em 2019, a maior incidência da taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5g/l observou-se nos grupos dos condutores de idade igual ou superior a 50 anos (29,3%), e a taxa de infratores mais elevada verificou-se nos condutores com idade igual ou superior a 50 anos e nos jovens de 21 a 29 anos (ambos com 2,0%).

O relatório diz também que, no ano passado, a esmagadora maioria dos testes de álcool foi aleatória (89%) e que 74% do total de condutores com TAS igual ou superior a 0,5g/l foram fiscalizados deste modo.

A análise estatística da condução sob a influência do álcool apresentada no documento, segundo a ANSR, foi realizada em duas perspetivas utilizando as diferentes séries temporais: fiscalização (2010-2019) e sinistralidade rodoviária (2016-2018).

Em 2019 as taxas de infratores mais elevadas registaram-se nos intervalos horários compreendidos entre as 00:00 e as 04:00 (4,1%) e entre as 04:00 e as 08:00 (8,0%). Os restantes intervalos horários apresentam uma taxa média de 1,3%.

O relatório refere ainda que, no ano passado, 90,2% dos condutores submetidos ao teste de ar expirado e 91,4% dos que tinham taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5g/l circulavam em automóveis ligeiros.

Contudo, a maior taxa de infratores foi nos condutores de veículos de duas rodas a motor (3,7%), como motociclos e ciclomotores, e de outros veículos (7%).

O número de ações de fiscalização em 2019 foi superior no distrito do Porto (10,6%) e no de Lisboa (9,6%), enquanto relativamente aos infratores com taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5g/l se destaca o distrito de Lisboa, com 15,7% do total.

A maior taxa de infratores registou-se no distrito de Leiria (3,4%).

Nos exames de determinação da taxa de álcool no sangue efetuados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. (INMLCF) aos condutores (acidentes e fiscalização), entre 2010 e 2019, “a percentagem do total de infratores com TAS=0,50 g/l, que teve oscilações pouco significativas entre 2010 e 2018, registou um aumento expressivo em 2019, passando de 63,0% em 2018 para 81,1% em 2019, o que constitui um aumento de 28,7%”, destaca o relatório .

Entre 2016 e 2018, os acidentes em que os condutores apresentavam uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,50g/l aumentaram significativamente durante a noite, com maior probabilidade de serem mortais no período das 00:00 às 03:00, habitualmente são despistes simples e a maioria ocorreu dentro das localidades, nos atravessamentos das povoações e em arruamentos.