O programa de rastreio do cancro da mama no Norte, que estava suspenso desde março devido à pandemia de Covid-19 e a questões administrativas, vai ser retomado e vão ser contactadas as mulheres que viram o agendamento cancelado, anunciou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. Ao contrário das outras regiões do país, o reinício dos rastreios no Norte estava atrasado — o que levou a que mais de 100 mil mulheres não tenham realizado este rastreio.

Mais de 100 mil mulheres do Norte sem rastreio ao cancro da mama

Segundo a ARS do Norte, “estão reunidas as condições para a retoma deste programa de rastreio na região Norte”, através da publicação da Resolução de Conselho de Ministros, a 24 de setembro, que “autoriza a ARS Norte a realizar a despesa decorrente do programa de rastreio do cancro da mama para o quadriénio 2020 -2023”, e também do protocolo celebrado com o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), enquanto entidade que executa este rastreio, que será assinado no dia 16 de outubro.

A ARS Norte acrescenta em comunicado que vão ser contactadas as mulheres que viram o agendamento para o rastreio do cancro da mama ser cancelado com o início da pandemia. Depois, seguem-se “as restantes mulheres em idade elegível (50 a 69 anos)”. Este exame de rastreio (mamografia) será realizado numa das 19 unidades que cobrem a região Norte, acrescenta a ARS.

Na altura da suspensão do rastreio, em março, o núcleo regional do norte da LPCC rastreava os concelhos de Braga, Felgueiras, Guimarães, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paredes, Peso da Régua, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Valença, Valongo, Viana do Castelo, Vila do Conde, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Real e Vinhais.

No dia 24 de setembro, a ARS Norte teve o aval do Governo para retomar o programa de rastreio, com a publicação em Diário da República da resolução que permite retomar o rastreio do cancro da mama na região. De acordo com esta resolução, a Administração Regional de Saúde do Norte está autorizada “a realizar a despesa e proceder à repartição dos encargos decorrentes do rastreio oncológico do cancro da mama, para aos anos de 2020 a 2023, até ao montante máximo de 19.377.207,06 euros, no âmbito da implementação do Programa de Rastreio do Cancro da Mama”. Os encargos não podem exceder, em cada ano económico, os 4.844.301,76 euros.

Em 2019, mais de 300 mulheres foram convidadas para participar neste programa de rastreio do cancro da mama, sendo que a taxa de participação foi de 62%, ou seja, 188.310 mulheres foram rastreadas. Em cada mil mulheres que realizaram este rastreio, 63 foram encaminhadas para uma consulta de aferição para avaliação complementar. “É este capital de recursos que vai ficar novamente disponível na região, com o reatamento integral do programa de rastreio do cancro da mama”, acrescenta a ARS.