Apesar de ter jogado com vários elementos não habitualmente titulares, a seleção espanhola teve uma exibição de encher o olho em Alvalade, sobretudo na primeira meia hora onde conseguiu criar várias oportunidades frente a Portugal desperdiçadas pelos avançados ou travadas por um grande Rui Patrício. Com muita mobilidade, a jogar de forma rápida e com uma posse objetiva a queimar linhas (até Fernando Santos conseguir corrigir posicionamentos e equilibrar o duelo ibérico), a Espanha confirmou toda a qualidade de uma nova geração que começa a merecer o seu espaço nas opções de Luis Enrique mas com um elo fraco: a finalização. Conjuntural ou estrutural?

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“Ainda que tenha poucos dias, tento ser melhor treinador e saber comunicar bem o que quero aos meus jogadores. Prefiro ter os jogadores que tenho [no ataque] do que um jogador capaz de marcar 30 golos mas que condicione o nosso sistema defensivo”, destacou o selecionador, entre muitos elogios à Suíça – curiosamente a equipa a quem marcou o primeiro golo enquanto jogador pela Roja. “Mereceram muito mais do que conseguiram nos jogos que fizeram até agora na Liga das Nações. É uma equipa atrevida, que sai bem de trás, capaz de pressionar bem e que chega de forma rápida com muitas unidades à frente”, salientou Luis Enrique sobre os helvéticos.

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Prometido e cumprido: mesmo sem Marco Asensio (tema na conferência de imprensa antes do jogo que, perante a insistência, levou o técnico a dizer que contava com ele mas que “nesta altura está a ver uma série da Netflix, no sofá, tranquilo e bem”), Luis Enrique apostou num ataque mais móvel deixando apenas Dani Olmo em relação à equipa que iniciou o particular com Portugal e lançando Ferran Torres, Oyarzabal – de fora da última partida por um teste inconclusivo – e Ansu Fati, a nova coqueluche do futebol espanhol e da seleção A que voltou a merecer atenção especial do selecionador: “Na primeira semana pode ter um excesso de atenção pública, agora já se está a habituar. Quer continuar a crescer como pessoa e jogador. Temos muitos jovens com uma habilidade inata para chegar à equipa principal, com anos para se desenvolverem assim mantenham a humildade para trabalhar.

Foi dessa forma que a Espanha ganharia mesmo vantagem: já depois de um aviso de Mehmedi para grande defesa de David de Gea na única saída com sucesso dos helvéticos na meia hora inicial (10′), Oyarzabal inaugurou o marcador na sequência de uma pressão alta onde a Suíça tentou sair a jogar de trás num pontapé de baliza, o passe de Sommer saiu ligeiramente desviado, Xhaka escorregou e o avançado da Real Sociedad só teve de rematar para o 1-0 (14′). Mais tarde, numa jogada pelo corredor direito com Navas, Ferran Torres foi mais rápido a surgir na área mas o cabeceamento foi bem travado pelo guarda-redes contrário (28′). O conjunto de Luis Enrique tinha o domínio absoluto, enfrentava dificuldades perante a organização defensiva contrária mas tinha o mérito de colocar o jogo quase todo no meio-campo contrário fruto da reação à perda da bola que fazia toda a diferença.

No segundo tempo, pela intensidade, pelas substituições e pela própria dinâmica que o encontro foi conhecendo, a qualidade global baixou muito. E se a Suíça conseguiu estar mais tempo no meio-campo espanhol do que nos 45 minutos iniciais (tendo marcado um golo numa fase onde o jogo já estava interrompido, embora Seferovic tenha estado sempre muito desacompanhado), a Espanha continuou a beneficiar das melhores oportunidades, com Oyarzabal a acertar no poste após defesa incompleta de Sommer (52′) e mais tarde a adiantar em demasia quando tinha todas as condições para se isolar. Ainda assim, valeu a vitória, que manteve a Roja à frente do grupo 4 com sete pontos. Mais do que isso, confirmou uma tendência: se a campeã europeia e mundial do tiki-taka conseguiu tornar-se imbatível com bola, esta geração está a ser projetada para ser a melhor sem ela.

Já no outro encontro do grupo, a Alemanha, que começou esta Liga das Nações com duas igualdades a um golo frente a Espanha e Suíça, conseguiu a primeira vitória nesta fase na Ucrânia por 2-1, com Ginter (20′) e Goretzka (49′) a marcarem os golos que fizeram a diferença antes de um penálti de Malinovskyi (77′).