Pelo menos duas pessoas morreram depois de uma explosão em Beirute, capital do Líbano, dois meses depois da enorme explosão que assolou o porto da cidade e que provocou a morte a pelo menos 202 pessoas.

De acordo com o responsável pelos bombeiros da cidade, Ali Najm, mencionado pela agência France-Presse (AFP), a explosão decorreu de um “tanque de combustível” de uma padaria que pegou fogo, no bairro Tariq al-Jdidé. Contudo, as causas do incêndio ainda não são conhecidas.

“Foram encontrados dois corpos”, disse o secretário-geral da Cruz Vermelha do Líbano, Georges Kettané, em declarações ao canal televisivo Al-Jadeed. Georges Kettané também falou de vários feridos que tiveram de ser transportados para uma unidade hospitalar, mas, desta vez, citado pela Agência Nacional de Notícias libanesa.

A televisão Al-Jadeed, no entanto, especifica que há mais de 20 feridos, uma vez que a explosão ocorreu numa área densamente povoada da capital libanesa. Os bombeiros retiraram as pessoas dos edifícios em torno do local da explosão, acrescenta a AFP.

Na terça-feira, o Governo libanês subiu para 202 o número de mortos na explosão que ocorreu há dois meses e que destruiu o porto de Beirute. O executivo mantém em cerca de 6.500 o total de pessoas que ficarem feridas na explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, salientando que continuam desaparecidas nove outras — três libanesas, cinco sírias e uma egípcia. Pouco mais de dois meses depois do incidente, que deixou também cerca de 3.000 pessoas sem habitação, está ainda por explicar a origem da explosão do fertilizante que estava há seis anos armazenado no porto da capital libanesa.

A Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa indicou esta sexta-feira que o procurador encarregado de esclarecer o incidente, Ghassan Oueidat, disse ao juiz que lidera a investigação, Fadi Sawan, ter havido indicações das autoridades judiciais da Jordânia sobre o navio “Roussos”, de onde proveio o nitrato de amónio.

Segundo Oueidat, o navio partiu em 2013 da Geórgia com destino a Moçambique e tinha previsto uma escala no porto de Aqaba, na Jordânia, mas acabou por seguir para o de Beirute, onde o fertilizante foi descarregado num dos silos. No entanto, segundo a ANN, a justiça libanesa esperava já ter em mãos uma resposta das autoridades moçambicanas para esclarecer as razões pelas quais o fertilizante não seguiu para Moçambique com a carga e bordo e porque foi descarregado em Beirute.

Há cerca de uma semana, o juiz Saiwan emitiu ordens de detenção, através da Interpol, contra o proprietário do navio, um indivíduo de nacionalidade russa. Até agora, cerca de duas dezenas de pessoas foram detidas no Líbano, numa altura em que prosseguem os interrogatórios a figuras política e responsáveis de segurança.

O Presidente do Líbano, Michel Aoun, reconheceu, dias depois da explosão, que sabia da existência de uma “grande quantidade” de nitrato de amónio armazenada no porto de Beirute.

O Líbano vive uma das piores crises da sua história, agravada por uma paralisia política provocada pelas demissões registadas após a explosão de 04 de agosto, tanto do primeiro-ministro de então, Hassan Diab, como o que o sucedeu, Moustapha Adib, esta já a 26 de setembro passado.