A portuguesa Ana Alves, protagonista do projeto a solo anrimeal, vai lançar oficialmente no próximo mês o álbum de estreia “Could Divine”, cujo ‘single’ “Marching Parades” já passou na rádio BBC3. O trabalho é o resultado de três anos de composições e experiências caseiras em Londres, para onde se mudou para estudar composição musical em 2016.

Com a exceção de algumas contribuições de amigos, “Could Divine” foi escrito, interpretado e produzido pela portuense de 25 anos. “Sempre tive interesse num projeto a solo, porque é mais rápido e não tenho de depender de ninguém nem explicar o que quero a outras pessoas. Isto era importante porque este é o primeiro trabalho”, disse à agência Lusa.

Inicialmente formada em música clássica, mas admiradora de sons tão díspares como Kanye West, música folk de coros búlgaros, Béla Bártok ou Fernando Lopes-Graça, encontrou inspiração na artista pós-minimalista Eva Hesse e invoca temas como a natureza, misticismo e feminidade.

O resultado é descrito como ‘computer folk’, uma música que “explora o uso de textura, limitação e repetição”, onde mistura a própria voz com instrumentos como guitarra e violino e outros sons, como o canto de pássaros. A inclusão no fim de setembro no programa “Late Junction” da rádio BBC3, reconheceu, “é um passo super importante, especialmente em início de carreira, porque a rádio britânica é tão difícil de se permear”.

Além de estar disponível nas principais plataformas de ‘streaming’ a partir de 20 de novembro, o álbum vai ter uma edição especial de 300 cópias em vinil amarelo, algumas das quais com uma cassete como bónus. “Muita gente, principalmente os mais novos, dão bastante valor ao objeto, como o vinil e cassete, por causa do grafismo e das letras, mesmo sem terem o equipamento para ouvir”, explicou a portuense de 25 anos.

O nome do projeto, anrimeal, é um acrónimo do nome completo que o pai criou para o endereço eletrónico há muitos anos, mas com o qual passou a identificar-se porque é mais curto.

Ana Alves reconhece que, especialmente em Londres, o percurso normal de um músico é primeiro dar concertos ao vivo e gravar depois, mas a pandemia de Covid-19 complicou os planos. Mesmo assim, o confinamento foi o catalisador para lançar as músicas que tinha na gaveta há cerca de um ano e também proporcionou a “estreia” com público, quando deu o primeiro concerto, através da Internet. “Dar concertos era um ótimo desafio, mas eu não sou uma intérprete, gosto mais de estar em estúdio a experimentar com microfones e sintetizadores”, confessou.