A campanha para as eleições legislativas dos Açores, marcadas para 25 de outubro, decorre entre este domingo e dia 23, com 13 forças políticas a disputarem os 57 lugares da Assembleia Legislativa Regional.

Nas eleições regionais açorianas existe um círculo por cada uma das nove ilhas e um círculo regional de compensação, reunindo este os votos que não forem aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

São Miguel, a maior ilha do arquipélago, elege 20 deputados, seguindo-se a Terceira, com 10 deputados, o Pico e Faial, com quatro parlamentares, e São Jorge, Santa Maria, Graciosa e Flores, com três.

A ilha mais pequena dos Açores, o Corvo, vai eleger dois deputados. Pelo círculo regional de compensação são atribuídos cinco mandatos.

Apenas as seis forças políticas que têm atualmente assento parlamentar (PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU e PPM) concorrem por todos os círculos.

PAN, MPT, Aliança, Livre, Chega, Iniciativa Liberal e PCTP/MRPP são os restantes partidos que se apresentam a votos.

Estão inscritos para votar um total de 228.572 eleitores.

Neste sufrágio será possível aos eleitores exercerem o seu direito de voto de forma antecipada, por mobilidade, algo que até agora só era permitido nas eleições presidenciais, legislativas nacionais e europeias.

Os eleitores que o desejem fazer devem manifestar a intenção entre este domingo e dia 15, por via postal ou eletrónica, sendo que o voto antecipado está agendado para 18 de outubro.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos, também um.

O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.

Vasco Cordeiro, líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional desde as legislativas regionais de 2012, após a saída de Carlos César, que esteve 16 anos no poder, apresenta-se de novo a votos para tentar um terceiro e último mandato como chefe do executivo.

Quase 80% da população vive nas ilhas de São Miguel e da Terceira

Quase 80% dos habitantes dos Açores residem nas ilhas de São Miguel e Terceira, que são também aquelas que têm maior densidade populacional e onde se registaram quatro em cada cinco nascimentos no arquipélago em 2019.

De acordo com o Retrato dos Açores da base de dados Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que foi divulgado no final de setembro, o Arquipélago dos Açores – constituído por nove ilhas (São Miguel, Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Santa Maria, Graciosa, Flores e Corvo) – perdeu cerca de quatro mil habitantes nos últimos cinco anos, passando de 246.897 residentes em 2014, para 242.821 em 2019.

Desses quase 243 mil habitantes, mais de metade reside na ilha de São Miguel (137.229, representando 57%), concentrando-se mais de um quarto na cidade de Ponta Delgada (67.900 pessoas).

Aliás, São Miguel, Santa Maria e Corvo contrariam a tendência de perda de população da região autónoma, tendo registado um aumento entre 2014 e 2019. As ilhas que mais perderam população foram São Jorge e o Pico.

A ilha Terceira é a segunda mais populosa do arquipélago, com 55.179 habitantes. Ou seja, em São Miguel e na ilha Terceira concentra-se quase 80% da população do arquipélago: 192.408 pessoas.

Relativamente aos concelhos das nove ilhas açorianas, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é onde residem mais pessoas (67.900), número superior ao de habitantes na segunda ilha com mais residentes, a Terceira.

O segundo concelho com mais residentes é a Ribeira Grande, também em São Miguel, com 32.755 habitantes, mais de o dobro de pessoas que moram nas ilhas do Faial (14.532) e do Pico (13.644).

A ilha mais pequena – Corvo – é também a que tem menos habitantes, apesar do crescimento registado entre 2014 e 2019: passou de 425 residentes para 465.

Em termos de densidade populacional, São Miguel está também em primeiro lugar, com 184 habitantes por metro quadrado, e as Flores é a que apresenta o menor valor entre as nove ilhas, com apenas 26 habitantes por metro quadrado.

Relativamente ao envelhecimento da população, os Açores apresentam um índice inferior ao de Portugal, com 95 idosos (com 65 ou mais anos) por 100 jovens (com menos de 15 anos). Em Portugal existem 161 idosos por 100 jovens.

São Jorge é a ilha mais envelhecida e a única que supera o rácio nacional, com 165 idosos por cada 100 jovens.

Quanto à esperança média de vida, os habitantes dos Açores vivem em média quase menos três anos (77,9 anos) do que a restante população de Portugal (80,8).

O Retrato dos Açores da base de dados Pordata indica ainda que, à exceção de São Miguel, nas restantes oito ilhas açorianas o número de nascimentos foi inferior ao número de óbitos.

Em média, as mulheres açorianas têm 1,29 filhos, valor inferior ao verificado em Portugal (1,42), sendo que nas Flores é onde se verifica o mais alto índice de fecundidade (1,41) seguida da Graciosa (1,40) e de São Miguel (1,38).

Em 2019 nasceram nos Açores 2.131 bebés, mais de metade em São Miguel (1.286). No Corvo nasceu uma criança no ano passado.

Do número total de nascimentos, 48% aconteceram fora do casamento, percentagem inferior à de Portugal, que é de 57%.

Entre os quase 243 mil habitantes nos Açores, 3.857 são estrangeiros, dos quais 1.086 vivem em Ponta Delgada e 627 na Horta. Dez estrangeiros residem na ilha do Corvo.

Nos Açores, 38% da população são casais com filhos, 20% casais sem filhos e 14% famílias unipessoais. Entre a população idosa, quase metade dos que têm mais de 65 anos vivem sozinhos.

Sobre os casamentos, o Retrato dos Açores da base de dados Pordata revela que se realizaram 943 em 2019, a maioria em São Miguel (583). No Corvo não houve nenhum casamento e nas Flores foram apenas sete.

Destes casamentos, 71% foram casamentos não católicos, uma percentagem superior aos 69% registados em Portugal. Os sete casamentos que se realizaram nas Flores foram cerimónias não católicas, enquanto na Terceira e em São Miguel a percentagem foi de 70%.