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Há cinco anos, Kim Kardashian e o marido, Kanye West, visitaram Gyumri, a segunda maior cidade da Arménia, a seguir à capital, Erevan.

Foi a primeira e única vez que a socialite, principal rosto de um dos reality shows mais vistos no mundo, pisou a terra dos antepassados. O pai, o conhecido advogado Robert Kardashian, nasceu e morreu em Los Angeles, tal como os seus pais e os pais deles, portanto a sua ascendência arménia remonta à linha dos trisavós, o que não impediu que Kim, Kanye e a bebé North West tivessem visitado o casebre outrora ocupado pela família Kardashian — e que se filmassem para a décima temporada de “Keeping Up with the Kardashians”, para gáudio da população e do presidente da Câmara, que fez parte do comité organizado para lhes dar as boas-vindas à cidade.

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Também não tem impedido, agora que Baku voltou a reclamar a posse da República de Artsakh, na região de Nagorno-Karabakh — o território de maioria arménia cristã que foi integrado, em 1921, pela URSS no Azerbaijão e que, 70 anos depois, proclamou unilateralmente e com o apoio da Arménia a sua independência —, que Kim Kardashian seja uma das vozes mais audíveis na defesa dos interesses arménios no conflito.

Desde o reacender do conflito — que em duas semanas já fez pelo menos 300 mortos e várias centenas de deslocados —, a socialite, a partir dos subúrbios de Los Angeles, onde mora, tem-se desdobrado em partilhas nas redes sociais, de forma a chamar a atenção para o que está a acontecer a mais de 11.500 quilómetros de distância.

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“A Arménia está a ser vítima de ataques não provocados pelo Azerbaijão e pela previsível campanha de desinformação que os acompanha. O Azerbaijão está a bloquear as redes sociais exceto para a propaganda de guerra”, escreveu a 27 de setembro no Twitter, rede onde acumula 66,9 milhões de seguidores.

Este sábado, através de um vídeo colocado no Instagram — 189 milhões de seguidores — Kim Kardashian anunciou que vai doar um milhão de dólares ao fundo de apoio à Arménia, criado em 1994 pelos milhões de descendentes arménios na diáspora — estima-se que entre 500 mil e um milhão e meio de arménios tenham sido exterminados, durante a Primeira Guerra Mundial, pelo Império Otomano, naquele que ficou conhecido como genocídio arménio, que levou ao êxodo de grande parte da população para o estrangeiro.

Entrevistado pelo enviado especial do Telegraph à Arménia, o presidente da Câmara de Gyumri, mostrou-se satisfeito com o apoio desta arma, muito pouco secreta: “[A exposição pública de Kardashian] é essencial para nós. Estamos muito felizes por a família ser de Gyumri e por ter ajudado verdadeiramente a por a cidade no mapa mundial”, disse Samvel Balasayan.

“Os esforços da Kim Kardashian para postar e falar sobre o conflito em Nagorno-Karabakh despertaram uma grande consciência pública para o conflito, não só nos Estados Unidos mas em todo o mundo”, acrescentou um arménio, entrevistado em frente à antiga casa da família Kardashian, numa rua de terra batida.

A visibilidade que a socialite tem trazido para o conflito, numa posição aplaudida por muitos mas rechaçada a espaços nas redes sociais por defensores do Azerbaijão e da Turquia, que o secunda, foi considerado essencial também pelo diretor executivo da Fundação Repat Armenia. “A Arménia é um país pequeno que sempre esteve à mercê de outros impérios, só temos dois aliados: o nosso exército e a nossa diáspora. Sempre que temos uma questão existencial, a nação inteira torna-se um exército.”