O CDS-PP questionou esta segunda-feira o Governo sobre “as graves carências de profissionais” no Serviço de Pediatria do hospital de Évora e alertou que a situação poderá “agravar, ainda mais, a prestação de cuidados de saúde com qualidade”.

A pergunta sobre este serviço do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), a que a agência Lusa teve acesso, foi subscrita pela deputada centrista Ana Rita Bessa e dirigida à ministra da Saúde, Marta Temido.

Pediatras do HESE reclamaram, através de um manifesto, “medidas urgentes e sólidas” que viabilizem a “sobrevivência” do Serviço de Pediatria, devido à falta de médicos, e alertaram que os Cuidados Intensivos Neonatais podem fechar em novembro.

O documento, que representa “a tentativa derradeira para que seja prestada atenção ao Serviço de Pediatria” do hospital de Évora, foi subscrito por 21 pediatras, incluindo o diretor do serviço, Hélder Ornelas, e é apoiado por 10 internos deste serviço.

Na semana passada, o HESE anunciou ter implementado temporariamente “um novo modelo de atendimento” no Serviço de Urgência Pediátrica para “garantir a assistência às crianças e jovens do Alentejo” e procurar contrariar a falta de pediatras.

O novo modelo, desenhado em articulação com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, “mantém o atendimento pediátrico urgente com um pediatra de presença física — continuando-se a recorrer a prestadores de serviços, se tal se revelar necessário — e com um ou dois médicos com treino pediátrico, que farão o primeiro atendimento”, revelou o hospital.

Na pergunta, a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa transcreveu quase na íntegra o manifesto de pediatras do HESE, devido à “gravidade que assume” o seu conteúdo, e lembrou que o partido já tinha questionado, em 2008, o Governo sobre o assunto.

Ora, pode constatar-se que, não obstante as promessas do Governo, as graves carências de profissionais mantêm-se, o que, conforme se pode verificar no manifesto, poderão agravar, ainda mais, a prestação de cuidados de saúde com qualidade, principalmente nesta fase de pandemia”, escreveu a deputada.

Com a pergunta, a parlamentar centrista quer saber que justificação apresenta a tutela para as denúncias constantes do manifesto dos médicos e desde quando está a ministra da Saúde a par da situação.

Ana Rita Bessa questiona também a falta de “medidas eficazes que resolvessem a gravidade dos problemas”, o novo modelo de atendimento na Urgência Pediátrica e que medidas concretas pretende tomar o Governo para dotar o HESE do número suficientes de pediatras.