O Governo diz que o Orçamento segue a linha dos últimos cinco anos (que contaram com a viabilização do PCP), mas os comunistas ainda não estão satisfeitos. “O que está em cima da mesa não chega. É claramente insuficiente”, avisa Jerónimo de Sousa que quer ver o Orçamento ir mais além sem aceitar, à partida, “fatalismos”.

Em entrevista ao programa “Polígrafo / SIC”, o secretário-geral comunista reconheceu que o Governo deu alguns sinais de aproximação às pretensões do PCP, mas deixou repetidos avisos sobre aquilo que considera ser insuficiente na proposta do Orçamento e deixa antever que irá apostar no processo de discussão do Orçamento do Estado para tentar elevar aquilo que o Governo já acolheu no documento a outros patamares. É o caso das medidas sobre “creches, lares ou a proteção aos que perderam tudo e não têm qualquer meio de subsistência” ou o subsídio de risco para os profissionais na linha da frente que “esquece as forças de segurança” que o PCP critica e considera serem “insuficientes”.

As propostas que o PCP quer ver inscritas no documento são conhecidas e frequentemente repetidas e, frisa Jerónimo de Sousa, não estão sujeitas a alterações à mercê de “fatalismos” como o da demissão do Governo. E se o Bloco pede um documento escrito ao Governo, o PCP diz que não precisa: “Não precisamos de papel escrito. Honramos a palavra, quando dizemos que não, dizemos que não”.

O secretário-geral do PCP reafirma que “da parte do PCP a disponibilidade é para procurar encontrar soluções” para tentar retirar o país da crise social e económica que atravessa (e que o PCP faz questão de recordar que não acontece só por culpa da Covid-19, mas que foi sim acentuada com a pandemia).

Já sobre a eventual crise política — depois de o Bloco de Esquerda ter acenado com a hipótese de votar contra a proposta do Governo — Jerónimo de Sousa recusa o cenário de “crise política”, lembrando que há “soluções legais para resolver o problema” caso o Orçamento não seja viabilizado e atira a bola da responsabilidade para o Governo: “Não há crise política se o Governo der resposta aos problemas que afetam as pessoas”.

A “bazuca” da União Europeia também não convence o partido que quer “libertar [o país] das imposições e amarras da UE”. O PCP quer que seja Portugal a ter as ferramentas suficientes para recuperar: “consideramos que é possível a valorização do trabalho que em si mesmo cria mais riqueza e mais emprego”. Algo que, afirma Jerónimo de Sousa, as propostas comunistas para o OE2021 já contempla. “A nossa proposta tem esta dimensão, com esta valorização que se devia fazer dos salários e dos direitos de quem trabalha”, apontou o líder comunista.