À semelhança do que já tinha acontecido com as marcas do Grupo Volkswagen, designadamente VW, Audi, Porsche, Seat e Skoda, também a Mercedes está convencida que só com plataformas exclusivas para veículos a bateria é possível construir um bom modelo eléctrico, que explore todo o potencial desta tecnologia e que leve mais longe a autonomia para a capacidade de acumuladores que carrega. Por isso, depois de propostas como o EQC400 e o EQV300, cujas plataformas nasceram para montar motores de combustão e que foram adaptadas às baterias e motores eléctricos, estão agora na forja veículos concebidos de raiz com plataformas pensadas desde o início para modelos eléctricos.

aqui falámos da Electric Vehicle Architecture (EVA), que vai ser estreada pelo EQS, uma berlina eléctrica com as dimensões (e filosofia) de um Classe S com motores de combustão. O EQS surgirá em 2021, a que se seguirá o SUV EQS, crossover sensivelmente com as mesmas dimensões, bem como o EQE (o equivalente eléctrico ao Classe E tradicional) e, segundo alguma imprensa, o SUV EQE. Todos eles previstos para surgir no mercado entre 2021 e 2022.

Mercedes revela os seus topo de gama eléctricos

Se há mercado na Mercedes para berlinas e SUV topo de gama eléctricos, a apetência (e a necessidade) para veículos mais pequenos e baratos alimentados por bateria é ainda superior. Daí que o fabricante alemão não quisesse ficar de fora deste segmento, tanto mais que é necessário produzir um volume generoso de modelos eléctricos para conseguir economia de escala e reduzir os custos, sobretudo das baterias. Para já, os primeiros modelos acessíveis e de menores dimensões alimentados por bateria serão o EQA e o EQB, similares ao GLA e GLB, mas com a plataforma multi-energia Modular Front Architecture 2 (MFA2), adaptada para a montagem de baterias.

Sabe-se agora que, em 2024, será introduzida uma nova plataforma específica para eléctricos, a Mercedes Modular Architecture (MMA), uma vez que a EVA é, na opinião do fabricante, demasiado cara até para equipar um eléctrico da bitola de um Classe C. Com a MMA, que corresponde à MEB do Grupo Volkswagen, a Mercedes irá lançar todos os seus modelos eléctricos das gamas EQA, EQB e EQC, nas variantes berlina, carrinha e SUV.

Curiosamente, a Mercedes não fecha a porta a que alguns dos seus modelos eléctricos possam recorrer a motores de combustão. Segundo Markus Schäfer, membro da administração da Mercedes com o pelouro da Investigação e Desenvolvimento, estes motores a gasolina poderão surgir exclusivamente como extensores de autonomia, para aqueles locais em que os postos de carga não existem ou não abundam. Sabe-se ainda que, pelo menos nos modelos gerados pela plataforma EVA, o sistema eléctrico vai ter 800 volts e as transmissões de duas velocidades vão ser frequentes. Mas é pouco provável que estas soluções sejam transpostas para os veículos construídos sobre a MMA.