Há 39 países, num universo de 195, que apresentam grandes fragilidades a nível dos ecossistemas, com mais de 30% dos territórios nacionais afetados, concluiu o Instituto Swiss Re, que trabalha em avaliação de risco. Entre os países mais afetados estão Malta, Israel, Chipre, Bahrain e Casaquistão.

O declínio dos ecossistemas (e serviços de ecossistema, ou seja, os usos que podemos fazer enquanto humanos do ambiente, em termos económicos ou de saúde e bem-estar) e da biodiversidade traz mais do que a extinção de espécies ou a destruição das florestas e recifes de coral. Estas perdas têm impactos diretos no acesso e segurança dos alimentos, na qualidade da água que bebemos e do ar que respiramos e na nossa saúde em geral.

Em 10 anos, desde o acordo feito no Japão, os países do mundo não conseguiram cumprir nenhum das 20 metas que tinham como objetivo evitar a perda de biodiversidade, revelou um relatório das Nações Unidas em setembro, citado pelo jornal The Guardian.

Biodiversidade...

Mostrar Esconder

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

… é a variabilidade de seres vivos que existem nos vários ambientes, das bactérias às plantas e animais, das montanhas ao fundo dos oceanos. A biodiversidade inclui não só as diferentes espécies, mas também a variabilidade genética dentro das espécies e as interações estabelecidas com os ecossistemas.

Analisar a perda de biodiversidade é complexo porque tem muitos fatores associados, afirma o instituto em comunicado de imprensa. Mas, ao mesmo tempo, é essencial porque 55% do produto interno bruto a nível global — cerca de 35 biliões de euros — depende da biodiversidade e dos serviços de ecossistema, concluiu a equipa, que pertence à seguradora Swiss Re, com base no Índice de Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (BES) que criaram.

“No futuro, a ferramenta vai permitir que a indústria de seguros se ajuste e desenvolva produtos e soluções baseadas na natureza que tenham em consideração em que locais no mundo, numa escala ao quilómetro quadrado, estão os ecossistemas saudáveis ou frágeis. Essa informação pode ser usada para identificar onde investir e onde recuperar”, disse Bernd Wilke, co-autor do índice e gestor de risco na Swiss Re.

O índice pretende mostrar não só em que países os serviços de ecossistema apresentam um declínio maior, mas também que setores económicos estão mais dependentes da natureza. O que faz com que alguns países ou zonas dentro dos países estejam em maior risco do que outras, nomeadamente as que dependem mais da agricultura, pesca e florestas.

O que não quer dizer que as economias menos dependentes dos serviços de ecossistema não venham também a ser afetadas, uma vez que a qualidade da água ou as questões de segurança alimentar podem tornar-se globais, assim como questões relacionadas com doenças. O SARS-CoV-2 é o mais recente exemplo de como um vírus com origem num animal se pode espalhar pela população humana, a nível global, em poucos meses e deixa um alerta para como a interferência com a natureza pode causar problemas equivalentes no futuro.

Em muitos países, como em Portugal, a dependência dos serviços de ecossistema ou o declínio da biodiversidade varia consoante a região — Instituto Swiss Re

Os autores do relatório apresentam dois exemplos concretos da importância dos ecossistemas. Primeiro, a África do Sul e a Austrália, ainda que façam parte das maiores economias do mundo (G20), estão entre os países com maiores fragilidades nos serviços de ecossistema. Depois, o Brasil e a Indonésia que dentro dos países do G20 são os que têm a maior percentagem de ecossistemas intactos, mas também são países que dependem fortemente dos recursos naturais e que podem vir a sofrer as consequências de uma falta de gestão ambiental sustentável.

As 10 categorias consideradas no Índice BES: segurança da água, fornecimento de madeira, fornecimento de alimentos, integridade do habitat, polinização, fertilidade do solo, qualidade da água, regulação da qualidade do ar e do clima local, controlo da erosão e proteção costeira — Instituto Swiss Re

O Índice BES recolheu a informação que existia a nível global do estado dos serviços de ecossistema e biodiversidade, criou 10 categorias — que têm em consideração aspetos relacionados com a água, alimentos, solo, ar, clima, habitat, polinização e erosão — e fez uma análise com uma resolução de um quilómetro quadrado.