Depois de várias manifestações pelo país a pedir penas mais severas para os violadores, o governo do Bangladesh decidiu aprovar a pena de morte para o crime de violação. O ministro da Justiça, segundo o El Español, explicou que a decisão é definitiva e que entrará em vigor ainda esta terça-feira.

“O governo aprovou a proposta de alteração da Lei de Crueldade contra as mulheres e crianças introduzindo pelo crime de violação a pena de morte ou de prisão perpétua, em vez de apenas prisão perpétua”, anunciou o ministro Anisul Haque.

Até agora a lei previa a pena de prisão perpétua para violadores. A pena de morte também estava prevista, mas apenas para os casos de violação que culminavam com a morte da vítima.

A medida veio agora responder à onda de propostas na última semana pelo país inteiro, na sequência de um vídeo de uma violação em grupo, em Noakhali, que foi divulgado nas redes sociais no início de setembro e que se tornou viral — até que o tribunal ordenou que fosse retirado das redes socais.

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Uma violação que mereceu um comentário do ministro Interior que provocou ainda maior revolta: “as violações ocorrem em todo o mundo”, disse Asaduzzaman Khan, desvalorizando o caso.

“Não exigíamos a pena de morte, queríamos que o governo alterasse a lei de forma a garantir a justiça para todas as vítimas”, disse no entanto um manifestante do grupo cultural Udichi, Arif Noor.

É que, segundo este grupo, 975 mulheres foram violadas no país entre janeiro e setembro deste ano, 208 das quais por grupos de agressores. 43 das vítimas acabaram por morrer e 12 outras suicidaram-se . A própria Amnistia Internacional anunciou recentemente que apenas 0,37% dos casos de violação naquele país acabavam em condenação.  Pelo que as manifestações e as marchas vão continuar para apelar para este crime, mesmo apesar da alteração à lei.

Segundo a polícia local  já foram detidos dez suspeitos deste caso, quatro dos quais confessaram o crime.