O Tribunal da Concorrência adiou esta terça-feira a audição do ex-governador do Banco de Portugal, no julgamento dos recursos da auditora KPMG e de cinco dos seus sócios às coimas de 4,9 milhões de euros aplicadas pelo supervisor.

O depoimento de Carlos Costa, num processo que se insere no âmbito do caso BES, ficou marcado para o próximo dia 20.

O adiamento ocorreu por um dos advogados dos arguidos recorrentes ter um familiar infetado com a Covid-19, aguardando o resultado do primeiro teste, permanecendo em isolamento conjuntamente com o outro mandatário, com o qual manteve contacto próximo nos últimos dias, disse fonte judicial à Lusa.

No julgamento está em causa a condenação, pelo Banco de Portugal (BdP), da KPMG ao pagamento de uma coima de 3 milhões de euros, do seu presidente, Sikander Sattar, de 450.000 euros, de Inês Neves (425.000 euros), de Fernando Antunes (400.000 euros), de Inês Filipe (375.000 euros) e de Silvia Gomes (225.000 euros), de que todos recorreram.

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A decisão do BdP concluiu que houve a violação de normas que determinam o “dever de os revisores oficiais de contas ao serviço de uma instituição de crédito e os auditores externos de comunicarem factos que são suscetíveis de determinar uma emissão de reserva às contas da entidade que auditam”, neste caso o Banco Espírito Santo (BES), e a prestação de informações incompletas e de informações falsas ao supervisor, relativas à situação da filial em Angola (BESA).

A defesa dos recorrentes tem sustentado que “não corresponde à verdade” a acusação do BdP de que, de 2011 até 2013 não tinha informação para poder emitido as informações que emitiu sobre o BESA em matéria de crédito e que a partir de 2014 teve conhecimento da existência de créditos incobráveis de valor elevado.